Cresce mal-estar social na Bolívia diante do governo de Rodrigo Paz
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Os protestos de vários setores na Bolívia contra o governo se intensificaram nesta terça-feira (12), com dezenas de bloqueios de estradas, o início de uma marcha que promete percorrer centenas de quilômetros e manifestações no centro de La Paz, em meio a uma grave crise econômica.
Há duas semanas, operários, camponeses, professores, indígenas e caminhoneiros pressionam o presidente de centro-direita Rodrigo Paz, no poder desde novembro. Suas reivindicações incluem aumentos salariais, estabilização da economia e a não privatização de empresas públicas.
A Bolívia atravessa sua pior crise econômica em quatro décadas, com uma inflação interanual de 14% até abril.
No centro de La Paz, sede do governo, professores e operários tomaram as ruas pelo segundo dia consecutivo. "Os salários já não dão para nada, porque o custo de vida disparou", disse à AFP Claudia López, de 43 anos, professora de uma escola rural nos arredores da cidade.
Nesta terça-feira também foram registrados 67 pontos de bloqueio nas estradas do país, segundo a Polícia Nacional. Motoristas de carga pesada começaram os bloqueios há vários dias, aos quais depois se somaram professores e camponeses.
Nos mercados de La Paz, os preços de produtos como carne de frango e alguns vegetais dispararam devido à escassez causada pela tomada de estradas, segundo a imprensa local.
"São os bloqueadores que aumentam o preço dos produtos (...), que geram desemprego (...), que não permitem que a gasolina e o diesel cheguem à sua casa", disse Rodrigo Paz em um vídeo divulgado em suas redes sociais.
Grupos ligados ao ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019), foragido da Justiça pelo caso do suposto abuso de uma menor, também iniciaram nesta terça uma marcha de cerca de 180 quilômetros de Oruro (sul) até La Paz para exigir a renúncia de Paz.
E um grupo de camponeses aimarás tomou algumas vias da cidade de El Alto (leste), vizinha de La Paz.
As autoridades ainda não registraram confrontos com os manifestantes em meio ao crescente descontentamento social.
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