Conflitos provocaram mais deslocados que os desastres naturais em 2025
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Os conflitos e a violência obrigaram mais pessoas a fugir dentro de seus países do que os desastres naturais no ano passado, aponta um relatório publicado nesta terça-feira (12).
O Centro de Monitoramento de Deslocamentos Internos (IDMC) e o Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) afirmam em seu relatório anual que, no fim de 2025, 82,2 milhões de pessoas viviam em situação de deslocamento interno em todo o mundo: 69,7 milhões por conflitos e 13,6 milhões por fenômenos naturais.
O número global é o segundo maior registrado, atrás apenas de 2024.
"Os números se mantêm em níveis históricos", declarou à AFP a diretora do IDMC, Tracy Lucas, que classificou a tendência como um "alerta".
Ao longo do ano passado, 65,8 milhões de novos deslocamentos internos foram registrados, incluindo pessoas que se viram obrigadas a fugir em diversas ocasiões, segundo o relatório.
Os conflitos e a violência foram responsáveis por 32,3 milhões de movimentos geográficos (60% a mais que no ano anterior), enquanto 29,9 milhões de pessoas fugiram de tempestades, inundações e outros desastres.
"Nunca havíamos registrado um número tão estarrecedor de deslocamentos relacionados a conflitos", afirmou Tracy Lucas.
- "Colapso global" -
O relatório detalha como os conflitos emergentes em locais como o Irã e a República Democrática do Congo (RDC) obrigaram as pessoas a fugir repetidamente.
Diante de uma instabilidade cada vez maior no ano passado, a República Islâmica e a RDC responderam por dois terços de todos os novos deslocamentos internos provocados por guerras, com quase 10 milhões cada um, segundo o relatório.
O documento também aponta como tendência crescente a situação no Haiti, com quase um milhão de pessoas deslocadas pela onda de violência de gangues no país caribenho.
Por sua vez, das 69,7 milhões de pessoas que viviam em situação de deslocamento devido a conflitos em 54 países no fim do ano passado, quase metade estava em apenas cinco deles.
O Sudão, devastado pela guerra civil, registrou o maior número de pessoas deslocadas pelo terceiro ano consecutivo, com mais de nove milhões, seguido pela Colômbia (7,2 milhões), Síria (6 milhões), Iêmen (4,8 milhões) e Afeganistão (4,4 milhões).
"O deslocamento interno de dezenas de milhões de pessoas é um sinal do colapso global da prevenção de conflitos e da proteção básica dos civis", afirmou Jan Egeland, diretor do NRC, em um comunicado.
Com as novas guerras que começaram este ano e os vários conflitos permanentes em todo o mundo, mais deslocamentos provocados pela violência devem ser registrados em 2026.
"Muitas famílias estão retornando para casas destruídas e serviços que desapareceram, ou não conseguem retornar de forma alguma", disse Egeland.
- Desastres naturais-
As organizações de monitoramento destacaram uma queda de 35% nos deslocamentos provocados por desastres naturais em comparação com os "níveis excepcionalmente elevados" observados em 2024.
Contudo, IDMC e NRC ressaltam que os números do ano passado permaneceram 13% acima da média anual da última década.
À medida que a mudança climática provoca mais vítimas, as organizações apontam que vários países que antes eram menos afetados registraram, no ano passado, deslocamentos em larga escala provocados por desastres.
Os incêndios florestais, por exemplo, viraram um fator cada vez mais importante de deslocamento em todo o planeta, representando quase 700.000 casos apenas em 2025.
Entre os países com maior número de deslocados internos por desastres naturais em 2025 aparecem as Filipinas (10,7 milhões), China (3,5 milhões), Paquistão (3 milhões), Chile (1,5 milhão), Indonésia (1,4 milhão), Vietnã (832.000), Cuba (753.000) e Estados Unidos (732.000).
Os números alarmantes são divulgados no momento em que as organizações humanitárias enfrentam cortes no financiamento da ajuda externa, em particular por parte dos Estados Unidos, país que era o principal doador mundial.
Muitos cortes de recursos afetam os deslocados internos, que costumam receber menos atenção do que os refugiados que fugiram para outros países.
Outro impacto foi uma redução drástica na quantidade de dados coletados, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira.
"A disponibilidade de dados diminuiu em 15% dos países que monitoramos", disse Tracy Lucas.
"Ter dados confiáveis sobre o deslocamento é fundamental para compreender onde estão as maiores necessidades e riscos, assim como para garantir que as políticas e os recursos estejam à altura do desafio", advertiu.
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