Guerrilheiros assassinam jornalista em região mineradora da Colômbia antes das presidenciais
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Um jovem repórter foi assassinado por guerrilheiros em uma conflituosa região do noroeste da Colômbia afetada pela exploração ilegal de ouro, informou o presidente Gustavo Petro.
O jornalista Mateo Pérez, de 25 anos, desapareceu na terça-feira (5) enquanto fazia uma reportagem sobre a violência antes das eleições presidenciais de 31 de maio, em uma área rural do departamento de Antioquia (noroeste).
Na região atuam dissidentes da extinta guerrilha das Farc que não assinaram o acordo de paz em 2016 e narcotraficantes do Clã do Golfo.
Petro afirmou no X que o responsável pelo crime é um líder guerrilheiro chamado Jhon Edison Chalá Torrejano.
"A quadrilha de Edison se dedica ao controle da mineração ilegal de ouro", disse o presidente.
A ONG Fundação para a Liberdade de Imprensa (Flip) destacou que Pérez era "uma voz fundamental para a comunidade local".
"Ele enfrentou pressões judiciais (...) por suas investigações sobre economias ilícitas vinculadas a atores armados", segundo a organização que defende os jornalistas na Colômbia.
Pérez era diretor do veículo digital El Confidente de Yarumal, onde fazia reportagens sobre crime, segurança pública, política e corrupção.
A região onde ele foi assassinado é uma "zona de disputa" entre o maior cartel do narcotráfico conhecido como Clã do Golfo e uma dissidência das Farc que abandonou o acordo de paz de 2016, indicou a Flip.
Petro suspendeu em 21 de abril as negociações de paz com esse grupo rebelde por descumprimento dos acordos.
Desde setembro, o governo negocia a paz no Catar com o Clã, considerado uma organização terrorista por Washington.
A quatro meses de deixar o poder, o presidente enfrenta uma crise de segurança marcada por atentados, massacres de civis e ataques contra as forças de segurança, em meio a fracassadas negociações de paz.
Na Colômbia, os jornalistas enfrentam ameaças constantes de grupos armados que impõem terror em diversos territórios onde produzem cocaína, exploram minas ilegalmente e praticam extorsão.
A Defensoria do Povo, órgão estatal encarregado de proteger os direitos humanos, informou na quinta-feira que Pérez havia viajado "para realizar cobertura jornalística sobre os recentes confrontos armados".
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, ordenou uma operação militar para localizá-lo.
Pelo menos 170 jornalistas foram assassinados na Colômbia desde 1977, segundo a Flip.
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das/lv/vel/lm/am