Doze jornalistas assassinados na América Latina em 2025, sete no México
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Pelo menos 12 jornalistas foram assassinados na América Latina no ano passado, sete deles no México, que continua sendo um dos países mais perigosos do mundo para exercer o jornalismo, informou nesta quarta-feira (6) a ONG Article 19.
Além dos repórteres mortos, a organização contabiliza no México um jornalista desaparecido e oito tentativas de assassinato, seguido pela Guatemala, com três comunicadores assassinados e um desaparecido, e por Honduras, com dois jornalistas mortos.
"A violência letal persiste, é a forma mais brutal de censura que podemos encontrar, mas já não atua sozinha, é a ponta do iceberg de estruturas de silêncio cada vez mais sofisticadas", advertiu Leopoldo Maldonado, durante a apresentação de um relatório anual.
A ONG também documentou um total de 674 agressões contra a imprensa em quatro países: México com 451, Guatemala com 91, Honduras com 77 e El Salvador com 55.
Adicionalmente, organizações parceiras da Article 19 documentaram 1.200 agressões em Cuba e Nicarágua no ano passado, destacou Maldonado.
"A censura já não é exercida apenas com golpes ou balas, ela também é exercida por meio do que denominamos um ambiente hostil, isto é, estigmatização, descrédito, pressão acumulada, isolamento e exílio", acrescentou o ativista.
Ele citou como exemplo o caso salvadorenho, onde em apenas um ano 44 jornalistas foram forçados a deixar o país. "Não é necessário prender a imprensa quando o próprio ambiente se torna impossível para exercer o jornalismo", apontou Maldonado.
Ele alertou que outro padrão estrutural nos países estudados é o abuso do poder político e a "instrumentalização das instituições", em particular do Poder Judiciário, para silenciar jornalistas.
Em El Salvador, Cuba e Nicarágua, 100% das agressões documentadas foram responsabilidade do Estado, enquanto no México os ataques de autoridades representaram 50% do total, detalhou o ativista.
A organização não mencionou o crime organizado entre os responsáveis pelas agressões contra a imprensa no México nem nos outros países analisados.
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jla/ai/mr/am