Internacional

Bienal de Veneza inicia com polêmica por presença da Rússia

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Com demissões, boicotes, um protesto e ameaças de corte de verbas, a Bienal de Veneza abriu para a imprensa nesta quarta-feira (6) em meio a grande alvoroço pelo retorno da Rússia, pela primeira vez desde o início da invasão da Ucrânia. 

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A maior exposição de arte contemporânea do mundo, que acontece a cada dois anos na cidade dos canais, reúne artistas de vários países em conflito, entre eles Ucrânia, Israel e Estados Unidos. O Irã cancelou seus planos de participar. 

A Rússia foi incluída nesta edição da Bienal pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia em 2022. A decisão despertou a indignação do governo italiano e da União Europeia, que ameaçou cortar dois milhões de euros (11,32 milhões de reais) em financiamento para o evento. 

Um primeiro protesto ocorreu nesta quarta-feira em frente ao pavilhão russo, no início das visitas reservadas à imprensa. Foi protagonizado pelo coletivo feminista ucraniano Femen e pelo grupo russo Pussy Riot, com o rostos cobertos, sinalizadores e peitos nus. 

"Estamos aqui para lembrar que a única cultura russa, a única arte russa hoje em dia é o sangue", declarou Inna Shevchenko, militante do Femen. 

O júri da Bienal renunciou na semana passada após afirmar que não concederia prêmios a países governados por figuras alvo de ordens de prisão emitidas pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), ou seja, Rússia e Israel. 

Por fim, o pavilhão russo não ficará aberto ao público durante a Bienal, que acontece de 9 de maio a 22 de novembro. Em seu lugar, interpretações musicais gravadas durante os dias de apresentação à imprensa — "As árvores têm suas raízes no céu" (em tradução livre)— serão projetadas em telões ao ar livre pelos próximos seis meses. 

Participarão cerca de 30 "jovens músicos, filósofos e poetas", em sua maioria russos, mas também do México, do Mali e do Brasil, segundo as notas do projeto. 

"Gostaria de agradecer à Bienal por apoiar a ideia de que todos os países estejam representados aqui", declarou a curadora da exposição, Anastasia Karneeva, em um vídeo no Instagram.

- Oposição da UE -

Em 2022, pouco depois de a Rússia invadir a Ucrânia, artistas e curadores do pavilhão russo retiraram-se da Bienal em sinal de protesto. 

Em 2024, a Rússia não foi convidada, mas este ano os organizadores anunciaram em março sua participação, o que provocou uma onda imediata de indignação. 

Em carta ao presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, 22 ministros europeus da Cultura e das Relações Exteriores pediram que reconsiderasse a decisão, afirmando que a presença da Rússia era "inaceitável", dada a "brutal guerra de agressão contra a Ucrânia".

A Comissão Europeia advertiu então sobre a intenção de "suspender ou rescindir" o seu subsídio de dois milhões de euros por três anos. 

"Os eventos culturais financiados com o dinheiro dos contribuintes europeus devem salvaguardar os valores democráticos, fomentar o diálogo aberto, a diversidade e a liberdade de expressão, valores que não são respeitados na Rússia atual", declarou um porta-voz. 

Na segunda-feira, a UE voltou a escrever ao governo italiano para pedir esclarecimentos sobre as condições em que a delegação russa é acolhida, devido a uma possível violação das sanções europeias contra Moscou. 

Segundo documentos divulgados de uma inspeção realizada na semana passada pelo Ministério da Cultura italiano, os organizadores da Bienal argumentaram que a Rússia é proprietária do pavilhão de Veneza desde 1914 e não pode ser impedida de o utilizar. 

O ministro da Cultura, Alessandro Giuli, que desde o início se opôs à inclusão da Rússia, disse que não irá a Veneza. 

Em consequência da renúncia do júri e da "natureza excepcional da situação geopolítica internacional em curso", os organizadores adiaram a cerimônia de entrega de prêmios de 9 de maio para 22 de novembro, último dia da exposição.

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jra/ar/ide/sbk/pb/avl/erl/jc/fp

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