Presidente da Guatemala nomeia sucessor de procuradora-geral sancionada pelos Estados Unidos
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O presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, anunciou na terça-feira (5) o sucessor da procuradora-geral Consuelo Porras, sua maior inimiga política, que enfrenta sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, que a consideram corrupta e antidemocrática.
A saída de Consuelo Porras, que buscava um terceiro mandato, é considerada fundamental por juristas internacionais para atacar a rede de corrupção enraizada no sistema de justiça, que abalou a frágil democracia guatemalteca.
A procuradora será substituída por Gabriel Estuardo García Luna, que assumirá o cargo em 17 de maio para um mandato de quatro anos, anunciou Arévalo em mensagem à nação.
García Luna "não chega para servir a um presidente, ao governo do momento, nem a interesses políticos particulares ou espúrios, e sim para servir a uma justiça independente, objetiva, colocada a serviço dos guatemaltecos", afirmou o presidente social-democrata.
Consuelo Porras, 72 anos, foi excluída do grupo de candidatos aprovado por uma comissão especial para que Arévalo escolhesse o novo procurador-geral.
O presidente já havia descartado a possibilidade de manter Consuelo no cargo por considerá-la "perigosa" para o país.
A procuradora tentou impedir a posse de Arévalo há dois anos e abriu processos contra ex-promotores antimáfia, juízes, líderes indígenas e jornalistas, muitos deles agora no exílio.
Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, a União Europeia e outros países adotaram sanções contra ela, que foi acusada de prejudicar a luta contra a corrupção e de minar a democracia.
Além disso, especialistas da ONU a vincularam recentemente a adoções ilegais de pelo menos 80 crianças indígenas na década de 1980, durante a guerra civil, quando era administradora e tutora em um abrigo estatal, acusação que Consuelo rejeita.
Arévalo, por sua vez, a acusa de atuar em favor do "pacto de corruptos", um suposto esquema de políticos e empresários que manipula a Justiça para proteger atividades criminosas.
Consuelo Porras foi condecorada recentemente por sua homóloga de El Salvador, o que alimentou especulações de que poderia se mudar para este país quando deixar o cargo.
O novo procurador, de 49 anos, tem mais de 20 anos de experiência na administração da Justiça e tem mestrado em Direito Penal.
Ele já foi juiz penal e magistrado regional, além de membro de um conselho de disciplina judicial e professor universitário.
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