Afeganistão acusa o Paquistão de matar três pessoas na fronteira
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O Exército paquistanês matou, nesta segunda-feira (27), pelo menos três pessoas e feriu outras 45 em uma província fronteiriça afegã, informaram os talibãs.
Centenas de pessoas morreram desde que os dois vizinhos entraram em guerra no fim de fevereiro, segundo dados da ONU, mas a violência diminuiu nas últimas semanas.
Na província oriental de Kunar, o chefe de informação afegão, Najibullah Hanif, denunciou nesta segunda-feira ataques de morteiro e aéreos paquistaneses. "Nesta tarde, ataques foram lançados do Paquistão à capital de Kunar, Asadabad, e outros três distritos", declarou à AFP.
"Quarenta e cinco pessoas ficaram feridas e três morreram", acrescentou. Segundo Hanif, o Paquistão atacou "a cidade universitária" em Asadabad e o bairro adjacente.
O porta-voz da polícia provincial, Farid Dehqan Salarzai, relatou dois mortos e 45 feridos.
O Ministério da Informação do Paquistão negou no X ter atacado áreas residenciais e qualificou essa acusação de "mentira descarada".
Habitantes da província fronteiriça de Paktika, no sudeste do Afeganistão, também relataram confrontos. "Uma pessoa morreu na vila de Rabot hoje, segunda-feira", disse à AFP Mushtaq Wazir, que vive no distrito de Barmal.
O Paquistão e o Afeganistão estão em conflito há meses. Islamabad acusa o vizinho de abrigar combatentes talibãs paquistaneses (TTP), que reivindicaram atentados mortais no Paquistão. As autoridades talibãs afegãs negam.
A violência se intensificou em 26 de fevereiro. O Paquistão chegou a falar em "guerra aberta" contra seu vizinho e bombardeou várias vezes a capital afegã, além de Kandahar (sul), onde vive o líder supremo dos talibãs, e regiões fronteiriças.
Após um ataque a uma clínica para dependentes químicos em Cabul, em 16 de março, que, segundo a ONU, deixou centenas de mortos e feridos, uma trégua foi respeitada até 24 de março.
As partes negociaram na China no início de abril. Pequim afirma que concordaram em evitar uma escalada.
Segundo dados da ONU de meados de março, pelo menos 76 civis afegãos morreram nesse conflito desde 26 de fevereiro, além de pelo menos 250 mortos no ataque contra o hospital para dependentes químicos.
Cerca de 94.000 pessoas foram deslocadas pelo conflito, acrescenta a mesma fonte.
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