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Subir na bola, a jogada que divide o futebol sul-americano

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Subir na bola no meio de uma partida é uma conduta antidesportiva ou pode ser a marca registrada de um jogador? A jogada reacendeu o eterno debate na América do Sul entre aqueles que aplaudem punições por ações provocativas e aqueles que alertam que proibi-las vai contra a própria essência do futebol.

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O polêmico lance voltou aos holofotes neste mês. Já feita por Yeferson Soteldo, do Santos, e Memphis Depay, do Corinthians, a jogada levou a uma mudança no regulamento de arbitragem na Argentina, assim como já havia acontecido no Brasil e na Colômbia.

O meio-campista Julián Palacios, do Unión de Santa Fe, subiu brevemente na bola no meio-campo durante uma partida do campeonato argentino contra o Estudiantes de La Plata, no dia 11 de abril. Uma confusão se instaurou entre os dois times ao final do jogo.

O incidente levou a Direção Nacional de Arbitragem (DNA) a determinar que a 'paradinha' — como o lance é coloquialmente conhecido em vários países sul-americanos — será penalizada por "desrespeito ao jogo".

Qualquer jogador que se atreva a tentar essa acrobacia receberá cartão amarelo, e o time adversário terá direito a uma falta indireta.

"Futebol não se joga assim. Não é uma técnica para driblar um adversário nem um meio de ganhar terreno para avançar em direção ao gol", declarou à AFP o ex-árbitro brasileiro Sálvio Spínola. 

Segundo Spínola, agora comentarista de arbitragem, o lance é punível por constituir "desrespeito aos adversários e desrespeito ao próprio jogo".

- "Futebol está ficando chato", diz Neymar -

Mas, para muitos outros, trata-se de uma expressão do folclore futebolístico e das peladas de rua. Tanto apoiadores quanto detratores mantiveram o debate acalorado, especialmente desde o ano passado.

Em abril de 2025, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vetou a jogada depois que Depay a transformou no principal assunto da final do Campeonato Paulista, disputada entre sua equipe, o Corinthians, e o Palmeiras, comandado pelo técnico português Abel Ferreira.

O Timão ficou com o título do torneio diante de seu grande rival mas a imagem do holandês pisando na bola, somada ao tumulto provocado pela jogada e à subsequente proibição imposta pela CBF, acabou ofuscando a própria conquista.

"Vim ao Brasil para vivenciar o 'jogo bonito' de perto, mas agora a CBF anunciou que qualquer um que pise na bola receberá cartão amarelo", lamentou o jogador da 'Oranje' em um comunicado.

Neymar saiu em defesa do amigo com uma publicação nas redes sociais, na qual declarou: "O futebol está ficando cada vez mais chato".

Mestre e criador de jogadas inesquecíveis, como o "chute do escorpião", o ex-goleiro colombiano René Higuita defende a manobra como parte fundamental do "espetáculo" do futebol.

'El Loco' buscou defender dessa maneira um talento colombiano em ascensão, Neyser Villarreal, que subiu na bola durante um clássico de Bogotá entre Millonarios e Santa Fe, em março do ano passado.

- Uma "palhaçada" -

A atitude não foi bem recebida por outro ídolo em atividade do futebol colombiano: o veterano Radamel Falcao García, um dos capitães do Millonarios.

Villarreal, que hoje joga no Cruzeiro, revelou que 'El Tigre' o repreendeu.

"Nunca mais faça isso porque esse tipo de palhaçada não leva a nada", reclamou Falcao, segundo o jovem jogador.

"Perguntei a ele o que eu deveria fazer em vez disso, e ele respondeu: 'Gols'", acrescentou, rindo, durante uma transmissão ao vivo no Instagram.

Após o incidente envolvendo Villarreal, essa jogada específica passou a ser punível na Colômbia com cartão amarelo e cobrança de falta indireta a favor do time adversário.

Essas medidas disciplinares não agradam a Alexander Velázquez, atacante de 19 anos do Danubio, do Uruguai, clube conhecido por ser um celeiro de craques como Edinson Cavani.

O jovem, que já foi convocado para as seleções juvenis da 'Celeste', defende que a 'paradinha' é um movimento que acontece naturalmente e não tem a intenção de provocar o adversário.

Ele próprio executou a manobra no ano passado, na liga profissional uruguaia.

No futebol, "as jogadas criativas estão perdendo espaço", lamentou Velázquez à AFP.

"Para mim, o ambiente ideal no futebol seria aquele em que se pudesse aplicar uma pedalada, pisar na bola ou executar dribles de efeito sem que o adversário visse isso como uma provocação, onde isso fosse simplesmente mais uma parte integrante do futebol sul-americano", observou.

Os árbitros, por enquanto, não compartilham a visão do jovem jogador, embora ele possa, ao menos, encontrar apoio em Neymar, Depay e Higuita.

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gfe/raa/aam/am

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