Internacional

Tribunal do Quênia decide que aborto não é um direito fundamental

Publicidade
Carregando...

O aborto não é um direito fundamental e, por isso, as detenções de médicos que o realizam ou de suas pacientes são legais, considerou nesta sexta-feira (24) um tribunal de apelação do Quênia, contrariando uma decisão anterior de primeira instância.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

No Quênia, um país 80% cristão e profundamente religioso, a Constituição de 2010 autoriza os profissionais de saúde a realizar o aborto se a vida ou a saúde da mãe estiver em perigo.

No entanto, algumas disposições do código penal, que datam da época colonial, ainda o proíbem de forma estrita.

Segundo o Center for Reproductive Rights (Centro pelos Direitos Reprodutivos, CRR), todos os dias sete quenianas morrem em decorrência de abortos não medicalizados, devido à ambiguidade legal em torno da interrupção voluntária da gravidez e ao tabu que a cerca.

"O aborto não é um direito fundamental garantido pela Constituição. Pelo contrário, a Constituição o proíbe expressamente, mas prevê exceções, em circunstâncias limitadas, nas quais pode ser permitido", decidiram os juízes do Tribunal de Apelação de Malindi (sudeste), em uma decisão à qual a AFP teve acesso.

"Os direitos constitucionais não podem, por si só, impedir uma investigação adequada, a acusação e o julgamento dos supostos crimes em questão", acrescentaram.

O caso analisado nesta sexta-feira remonta a setembro de 2019, quando um médico, Salim Mohame, e uma adolescente de 16 anos foram detidos em um hospital de Kilifi, perto de Malindi, na costa queniana.

Segundo o CRR, a jovem procurou a clínica em caráter de urgência alegando complicações relacionadas à gravidez, especialmente dores e hemorragias, e o médico, após diagnosticar um aborto espontâneo, tratou-a de acordo com esse diagnóstico.

Ambos foram acusados: ele, de ter administrado um medicamento que permitiu a expulsão do feto morto; e ela, de ter utilizado esse medicamento com o objetivo de abortar.

O médico ficou preso por uma semana e sua paciente, por um mês por não pagar a fiança, segundo a ONG.

Em março de 2022, um tribunal havia anulado as acusações contra ambos, mas também havia classificado o acesso ao aborto como um "direito fundamental".

"Hoje, (...) o Tribunal de Apelação revogou essas conclusões. Essa decisão suscita sérias preocupações", reagiu o CRR em um comunicado.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

ayv-jf/hba/mr/jvb/am

Tópicos relacionados:

aborto apelacao mulheres quenia

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay