Crianças de Gaza voltam a sorrir graças a zooterapia
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Além de milhares de mortos e deslocados, a guerra em Gaza deixou uma multidão de animais domésticos abandonados, que agora são um elemento-chave em oficinas terapêuticas pensadas para que as crianças enfrentem melhor os traumas e os problemas do dia a dia.
Uma menina com um suéter laranja cai na risada quando alguns pássaros pousam em sua cabeça e em um braço. E outro menino, em cadeira de rodas, acaricia um coelho branco.
A oficina acontece em uma tenda decorada com vários quadros coloridos no campo de Al Zawaida, no centro da Faixa de Gaza.
"O contato com os animais e com pássaros de cores vivas permite absorver as energias negativas" e "superar seus medos brincando" com eles, explica Rachid Anbar, responsável pelo projeto.
"Trata-se de promover uma cultura de respeito pelos animais e de formar uma geração que seja compassiva com eles", acrescenta.
Rachid Anbar teve a ideia ao se deparar com inúmeros animais domésticos nas ruas durante a guerra, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas contra Israel em outubro de 2023.
O conflito deixou dezenas de milhares de mortos em Gaza e obrigou quase toda a população a abandonar suas casas. Grande parte do território, superpovoado, ficou em ruínas.
Centenas de milhares de deslocados continuam vivendo em tendas, em condições de vida muito difíceis, apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro.
"Então decidi recolher [os animais] e utilizá-los com fins terapêuticos, já que, se tivessem ficado na rua, poderiam ter morrido", relata Anbar.
- "Medo e traumas" -
"E me senti ainda mais motivado a fazê-lo ao levar em conta que as crianças daqui são, em grande medida, marginalizadas", ressalta.
Mais de um milhão de crianças precisam de ajuda psicológica em Gaza, declarou em março Sima Alami, responsável pelo programa Adolescentes e Jovens do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
Há uma "grande urgência em matéria de saúde mental", com "96% das crianças tendo a sensação de que a morte é iminente, refletindo a intensidade do medo e do trauma que sentem no dia a dia", disse Alami.
Sentadas em roda, as crianças vão passando de mão em mão um cachorro branco, que seguram no colo, e um menino se deita sobre outro cachorro. Há até um ouriço.
De quebra, aprendem coisas sobre as espécies, como "o que recobre seu corpo, penas ou pelos, por exemplo, e se gestam ou botam ovos", detalha Rachid Anbar.
Apesar da trégua, praticamente todos os dias há bombardeios aéreos e tiroteios entre o Exército israelense e - segundo as forças israelenses - combatentes do Hamas.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas, o Exército israelense matou pelo menos 792 pessoas desde que o cessar-fogo entrou em vigor.
Israel, por sua vez, informou a morte de cinco soldados em Gaza durante esse período.
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