Inquietação com aumento do investimento privado em armas nucleares
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Instituições financeiras estão investindo cada vez mais na produção de armas nucleares, alertaram diversas ONGs nesta sexta-feira (24), aumentando as preocupações em meio ao aumento das tensões internacionais e aos gastos militares sem precedentes.
Um documento de 76 páginas registra as preocupações de especialistas sobre o risco de uma nova corrida armamentista nuclear, visto que os estados que possuem essas armas estão envolvidos em conflitos na Europa, Ásia e Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, os esforços em prol do desarmamento e da não proliferação parecem estagnados.
No relatório publicado nesta sexta-feira, a Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican), vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2017, e a organização antinuclear Pax destacaram o crescente interesse de instituições financeiras em empresas que trabalham no desenvolvimento e na modernização dos arsenais dos nove Estados com armas nucleares.
Segundo este relatório anual, intitulado 'Don't Bank on the Bomb' (Não Conte com a Bomba), cujos dados são atualizados até setembro de 2025, 301 bancos, fundos de pensão, seguradoras e outras instituições financeiras apoiaram ou investiram em empresas envolvidas na produção de armas nucleares.
Este número representa um aumento de 15% em comparação com o ano anterior, revertendo anos de declínio, segundo o relatório.
- "Estrategia arriscada" -
"Pela primeira vez em anos, o número de investidores que procuram lucrar com uma corrida armamentista aumenta", destacou Susi Snyder, diretora de programas da Ican e coautora do relatório.
"Trata?se de uma estratégia arriscada, de curto prazo e que contribui para uma escalada perigosa", advertiu em um comunicado, ressaltando que é "impossível tirar proveito de uma corrida armamentista sem alimentá?la".
Os nove Estados dotados de armas nucleares — Rússia, Estados Unidos, China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte — estão modernizando ou desenvolvendo seus arsenais, apontaram as organizações, mencionando um estímulo da procura por esse tipo de armamento.
O tratado New START, que limitava a implantação de ogivas atômicas das duas principais potências nucleares, Rússia e Estados Unidos, expirou em fevereiro, e o relatório destacou o forte aumento da capitalização em bolsa de grandes grupos armamentistas.
O estudo também chama a atenção para a crescente pressão exercida pelos governos, especialmente na Europa, para que os investidores levantem as restrições éticas que incidem sobre os seus investimentos em empresas de armamento.
Perante a ameaça representada pela Rússia e o crescente receio de que a Europa já não possa contar com a proteção dos Estados Unidos, os governos defendem que os investimentos no rearmamento da Europa não deveriam ser limitados por considerações éticas.
Em certos casos, como o do Reino Unido, chegam mesmo a afirmar que se trata de um dever moral.
- Volumes gigantes em ativos -
O relatório publicado nesta sexta-feira identifica 25 empresas envolvidas na produção de armas nucleares.
Honeywell International, General Dynamics e Northrop Grumman são as que contam com os maiores investimentos, excluídos consórcios e joint ventures. Entre outros grandes produtores figuram BAE Systems, Bechtel e Lockheed Martin.
Segundo o relatório, os três principais investidores nessas empresas, em termos de valor de ações e títulos, são os fundos americanos Vanguard, BlackRock e Capital Group.
Durante o período analisado, de janeiro de 2023 a setembro de 2025, os investidores detinham mais de 709 bilhões de dólares (3,51 trilhões de reais) em ações e títulos das 25 empresas produtoras de armas nucleares, o que representa um aumento de mais de 195 bilhões de dólares (965 bilhões de reais)em relação ao período anterior.
Em paralelo, foram concedidos quase 300 bilhões de dólares (1,4 trilhão de reais) em empréstimos e garantias aos fabricantes de armas nucleares, ou seja, um incremento de quase 30 bilhões de dólares (148 bilhões de reais) desde o relatório anterior.
Os três principais credores foram os gigantes bancários americanos Bank of America, JPMorgan Chase e Citigroup, segundo o relatório.
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