Mistério na França em torno de um Stradivarius roubado pelos nazistas
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Um Stradivarius roubado pelos nazistas na Polônia reapareceu no fim de março durante um concerto no nordeste da França? A especialista Pascale Bernheim, que o procura há anos, garante que sim, embora a origem do instrumento gere debate.
Este violino, fabricado pelo célebre luthier italiano do Renascimento Antonio Stradivari e desaparecido há anos, tem atualmente um valor estimado em mais de 10 milhões de euros (mais de 11,7 milhões de dólares).
A especialista contou à AFP que suas suspeitas começaram após ler a reportagem do jornal local Les Dernières Nouvelles d'Alsace sobre uma noite em 31 de março no Museu Unterlinden, no nordeste da França, que combinava uma degustação de vinhos e um concerto de violino.
O violinista Emmanuel Coopey tocou vários violinos diferentes, entre eles três antigos: um fabricado em "1624" pelo luthier Niccolò Amati, outro "da oficina de Antonio Guarneri datado de 1735"... e "um de 1719 de Antonio Stradivari", segundo o artigo do jornal.
"Estou absolutamente convencida de que se trata do 'Lauterbach'", declara a presidente da associação Musique et spoliations (Música e Espoliações), em referência ao violino roubado em 1944 na Polônia e assim chamado por um de seus primeiros proprietários.
- Stradivarius "do período mais belo" -
Soldados nazistas o roubaram em 1944 no Museu Nacional de Varsóvia, mas a última vez que foi visto foi no início dos anos 1990 na França, após passar anos na República Democrática Alemã, na órbita soviética, segundo uma investigação do jornal Le Parisien.
Existem apenas nove Stradivarius de 1719, dos quais dois estão desaparecidos: o "Lauterbach" e outro apelidado de "Lautenschlager".
No entanto, este último tem uma particularidade: sua tampa traseira é composta por duas peças de madeira, portanto não pode ser o violino usado em Colmar, cuja parte posterior é feita de uma única peça, segundo a informação do jornal.
O organizador da noite em Colmar é o produtor de concertos de música clássica Emmanuel Jaeger, que em 2017 entrou em contato com a especialista para investigar a origem de um violino em posse de Jean-Christophe Graff, um luthier de Estrasburgo.
Este último pensava que possuía um Vuillaume, de menor valor, até que, durante um colóquio, um renomado especialista mundial, o britânico Charles Beare (falecido em 2025), lhe disse: "Isso não é de forma alguma um Vuillaume, é um Stradivarius, e um Stradivarius do período mais belo", explica Pascale Bernheim.
Graff temia estar em posse de um violino espoliado, acrescenta a especialista.
- Investigação da Áustria à Argentina -
A especialista então iniciou suas investigações, identificou o proprietário do "Lauterbach" antes da Segunda Guerra Mundial, o industrial polonês Henryk Grohman — que o havia cedido ao museu polonês antes de sua morte —, e localizou inclusive seus descendentes na Áustria e na Argentina.
Mas a origem do instrumento ainda precisa ser determinada com certeza.
"Pelo que sei, Beare avaliou o violino em duas ocasiões e depois ele foi submetido a uma análise dendrocronológica", método que permite determinar, em particular, a idade de objetos de madeira, explica Bernheim.
Nem Emmanuel Jaeger nem o luthier de Estrasburgo responderam à AFP.
O primeiro declarou, no entanto, ao Le Parisien que a especialista estava equivocada. "Não se trata do violino roubado", afirmou também nesta quinta-feira ao Les Dernières Nouvelles d'Alsace.
Segundo o organizador da noite, o violino cedido para o concerto pelo proprietário do instrumento é outro Stradivarius de 1719.
"Errar é humano e posso estar equivocada", responde Bernheim. Mas, se de fato se trata de um Stradivarius de 1719 sem ser o Lauterbach, "então que nos expliquem qual é".
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