Principal cartel do tráfico na Colômbia descarta acordo de paz com governo
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O Clã do Golfo, o principal cartel do tráfico de cocaína na Colômbia, considera "impossível" firmar a paz com o governo do presidente de esquerda Gustavo Petro, cujo mandato finaliza em agosto, informou nesta terça-feira (21) o seu advogado.
A poderosa organização, classificada como terrorista pelos Estados Unidos, negocia o desarmamento em troca de benefícios judiciais desde setembro do ano passado, no âmbito da política de Paz Total promovida pelo mandatário para acabar com o último conflito armado do continente.
Os diálogos no Catar acontecem sem uma trégua formal em vigor, embora algumas frentes do Clã — que conta com cerca de 10 mil combatentes, segundo estimativas independentes — tenham se concentrado em áreas acordadas para suspender temporariamente suas ações armadas.
O advogado Ricardo Giraldo afirmou nesta terça-feira que a intenção do cartel é que o processo de paz avance "com o Estado", e não necessariamente "com o governo", ou seja, que prossiga após o fim do mandato de Petro em 7 de agosto.
"É impossível, por mais que quisessem, chegar a um acordo final de paz", disse Giraldo em entrevista coletiva.
Em declarações junto de uma representante do governo e observadores da OEA, o advogado assegurou que o processo de paz "começou tarde", embora siga "fortalecido" e "tenha oferecido avanços importantes".
O Clã do Golfo trafica a maior parte da cocaína produzida na Colômbia, o maior fornecedor mundial dessa droga.
Os colombianos vão eleger em 31 de maio o sucessor de Petro em um pleito marcado pela preocupação com a segurança.
O favorito, segundo as pesquisas, é Iván Cepeda, um aliado de Petro que fez parte do desenvolvimento da política de Paz Total. Atrás do senador de esquerda estão os candidatos de direita Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, críticos das tentativas do atual presidente de negociar com esses grupos ilegais.
A Paz Total tem sido criticada por alguns especialistas que consideram que os grupos à margem da lei se fortaleceram sob essa estratégia, como algumas guerrilhas que abandonaram as negociações. O próprio governo reconhece que o Clã do Golfo aumentou o número de seus efetivos.
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