Internacional

Lula avalia responder com 'reciprocidade' à expulsão pelos EUA de delegado da PF

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (21), que avalia responder com "reciprocidade" à expulsão, pelos Estados Unidos, de um delegado da Polícia Federal ligado ao caso do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL/RJ) nos EUA, em um novo capítulo das tensões entre Brasília e Washington.

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Segundo a imprensa brasileira, o delegado Marcelo Ivo, oficial da Polícia Federal que atuava em Miami, interveio na detenção, em 13 de abril, de Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro (PL) e foragido da Justiça brasileira após condenação por tentativa de golpe de Estado.

Após ser preso pela agência de imigração americana ICE, Ramagem foi libertado dois dias depois pelas autoridades dos Estados Unidos.

"Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa", disse Lula a jornalistas em Hanôver, na Alemanha, durante viagem pela Europa.

"Não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil", acrescentou.

O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado publicou na segunda-feira (20), no X, que pediu a um funcionário brasileiro que "deixe nossa nação" por tentar "manipular nosso sistema de imigração para (...) prolongar caças às bruxas políticas em território dos Estados Unidos", sem citar o nome de Ivo.

Em 2025, Donald Trump usou essa mesma expressão, "caça às bruxas", para se referir ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou Bolsonaro, Ramagem e outros ex-integrantes do governo por tentativa de golpe de Estado em 2022, após a derrota para Lula.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, enquanto Ramagem fugiu do Brasil em setembro e se instalou nos Estados Unidos.

Os aliados de Ramagem atribuíram sua rápida libertação a supostas gestões de Trump.

"Agradeço principalmente ao Presidente Donald Trump e ao Secretário [Marco Rubio] pela sensibilidade em tratar do caso deste verdadeiro herói nacional", escreveu no X Eduardo Bolsonaro (PL/SP), um dos filhos do ex-presidente, também radicado nos Estados Unidos.

O governo Lula tem rejeitado o que considera "ingerências" do governo Trump para favorecer aliados bolsonaristas. O presidente americano chegou a impor tarifas comerciais punitivas ao Brasil em represália pelo julgamento de Bolsonaro, depois parcialmente retiradas.

Lula buscará a reeleição em outubro, quando enfrentará o outro filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ).

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ffb/mel/lm/aa

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