Ratos, pulgas e parasitas proliferam nos campos de deslocados de Gaza
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Meses após o cessar-fogo em Gaza, Mohamed al Raqab ainda não consegue dormir. Já não são as bombas que o mantêm acordado, mas os ratos, as pulgas e outros parasitas que proliferam no campo de deslocados em que vive.
"Sofri muito por causa das doninhas e dos ratos. Um dos meus filhos foi mordido até no nariz", conta o servente de pedreiro de 32 anos em sua barraca em Khan Yunis, no sul da Faixa.
A maioria dos moradores de Gaza ainda vive amontoada em campos de deslocados, sem água nem instalações sanitárias suficientes.
Seus habitantes denunciam uma invasão de pragas que, segundo organizações humanitárias, representa uma ameaça crescente à saúde pública, especialmente agora que as temperaturas aumentam.
Nos acampamentos erguidos à beira-mar, os roedores podem cavar facilmente túneis na areia e entrar nas barracas, cozinhas e despensas improvisadas.
- "Infestação de animais nocivos e parasitas" -
A ofensiva de Israel, iniciada após o ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas contra o país em outubro de 2023, provocou o deslocamento de quase toda a população de Gaza.
Segundo a ONU, 1,7 milhão dos 2 milhões de habitantes do território ainda vive em campos, sem possibilidade de voltar para casa, ou em áreas que seguem sob controle das tropas israelenses.
Nessas instalações, "as condições de vida são caracterizadas por infestações de vermes e parasitas", afirmou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) após várias visitas à área em março.
Hani al Flait, chefe do serviço de pediatria do hospital Al Aqsa, no centro de Gaza, atende diariamente com casos de infecções cutâneas, em particular sarna.
"Essas crianças e suas famílias vivem em condições deploráveis, sem instalações sanitárias básicas nem acesso à água potável", explica à AFP. "A isso se soma a escassez de tratamentos adequados."
- Infecções e alergias -
O filho de Sabreen Abu Taybeh apresenta uma infecção persistente que parece catapora. "Vivemos em barracas e em escolas inundadas pelo esgoto", declara a mãe à AFP.
"Eu o levei a médicos e ao hospital, mas não fazem nada", protesta, enquanto mostra as manchas vermelhas que cobrem o peito e as costas do menino.
Ghalia Abu Selmi luta diariamente contra os ratos, que comeram o enxoval que havia preparado para o casamento da filha.
As pulgas também rondam e "provocam alergias cutâneas, não só nas crianças, mas também nos adultos", continua a mulher de 53 anos, enquanto separa as roupas furadas dentro da barraca que agora serve de casa.
Sua família teve que se deslocar 20 vezes desde outubro de 2023 e ainda não pôde voltar para sua casa em Abasan al Kabira, perto da fronteira com Israel, assegura.
Apesar do cessar-fogo, Israel continua controlando todos os acessos a Gaza. As inspeções são rigorosas e a entrega de itens de ajuda é frequentemente negada, denunciam ONGs e a ONU.
Isso provoca escassez de produtos básicos, como medicamentos, combustível, roupas e comida.
Ataques aéreos e disparos entre o Exército israelense e o que este apresenta como combatentes do Hamas ocorrem quase diariamente.
Segundo o Ministério da Saúde do território palestino, controlado pelo Hamas, pelo menos 777 pessoas morreram em ataques israelenses desde o início da trégua.
Do lado israelense, cinco soldados morreram em Gaza no mesmo período.
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