MP peruano intervém em depósito de atas das eleições presidenciais
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Promotores realizaram uma diligência nesta sexta-feira (17) em um depósito onde o órgão responsável pelas eleições no Peru guarda as atas e cédulas utilizadas na votação caótica de dias atrás, que terminou com denúncias contra funcionários e acusações de perda de material de votação.
A contagem parcial progride muito lentamente, pois quase todas as atas que ainda não foram contadas estão sendo impugnadas e deverão ser revisadas pela Justiça Eleitoral. Ainda há cerca de um milhão de votos em jogo.
Com 93,3% dos votos apurados, os resultados parciais dão como clara favorita para o segundo turno a candidata de direita Keiko Fujimori, com 17%.
Roberto Sánchez (12%), da esquerda radical, e o ultraconservador Rafael López Aliaga (11,9%) disputam ombro a ombro a segunda vaga. A distância entre ambos aumentou ligeiramente nesta sexta, mas ainda é ínfima: 13.000 votos.
A descoberta na quinta-feira de quatro caixas com 1.200 cédulas de votação em um contêiner de lixo, em um distrito de Lima, trouxe mais questionamentos sobre o pleito, marcado por atrasos na entrega de material eleitoral que obrigaram as autoridades a ampliar a votação em mais um dia.
O Ministério Público "efetua diligências no armazém principal" do Departamento Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), organizador da votação, "a fim de determinar o cumprimento de suas funções sobre o material eleitoral utilizado", segundo uma publicação do órgão judicial nas redes sociais.
López Aliaga, ex-prefeito de Lima, é o mais crítico do processo, que classificou de "fraude eleitoral" e pede a sua "nulidade absoluta". Ofereceu recompensas de 5.800 dólares para quem lhe enviar provas de irregularidades.
Além disso, o líder do partido Renovação Popular convocou seus seguidores para uma marcha no domingo.
"Estamos em disputa pelo futuro do país, pelo respeito aos nossos votos e pelo direito de não ficarmos de braços cruzados enquanto outros decidem por todos", escreveu López Aliaga no Facebook.
Roberto Burneo, presidente do Júri Nacional de Eleições (JNE), a autoridade máxima da Justiça eleitoral, declarou perante uma comissão do Congresso que "existem sérias irregularidades a respeito do manejo e da função" do ONPE nas eleições.
O titular do Departamento Nacional de Processos Eleitorais, Piero Corvetto, foi denunciado pelo JNE com outros três funcionários por supostos crimes contra o direito de voto.
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