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Candidato de esquerda assume o 2º lugar na apuração das eleições presidenciais do Peru

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O candidato de esquerda radical Roberto Sánchez subiu para o segundo lugar na contagem parcial das eleições presidenciais no Peru nesta quarta-feira (15) e se posiciona como um possível adversário da candidata de direita Keiko Fujimori no segundo turno, após uma eleição marcada por falhas logísticas e denúncias.

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O Peru está mergulhado em uma profunda crise política há uma década. Com uma sucessão de oito presidentes, seis dos quais não conseguiram concluir seus mandatos devido a processos ou ameaças de impeachment, a população perdeu a fé em seus políticos.

Com mais de 90% das urnas apuradas, a filha do ex-presidente autocrático Alberto Fujimori tem quase 17% dos votos. Ela é seguida por Roberto Sánchez (12%), que superou por uma pequena margem o ultraconservador Rafael López Aliaga (11,9%), que questiona a eleição. Os resultados ainda podem mudar. 

Sánchez, um psicólogo de 57 anos e herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo (2021-2022), viu seu resultado aumentar significativamente na terça-feira, segundo a apuração realizada pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), que organiza as eleições. 

Os votos de fora de Lima, a capital, levam mais tempo para serem processados. O apoio mais forte ao candidato do partido Juntos pelo Peru encontra-se no sul andino e nas áreas rurais.

"Vamos com  tranquilidade, com serenidade, confiantes no apoio do nosso povo (...) porque as atas não mentem", disse Sánchez à AFP em entrevista na terça-feira. "Estas eleições devem ser respeitadas", acrescentou. 

As projeções divulgadas na segunda-feira pelo instituto de pesquisa Ipsos já o colocavam com a melhor chance de avançar para o segundo turno.

- "Desejo de mudança" -

Roberto Sánchez foi ministro do Comércio Exterior e Turismo durante o governo de Pedro Castillo, sendo o único a permanecer no cargo após as cinco reformas ministeriais que marcaram o turbulento governo de 17 meses. 

Usando um chapéu de camponês, ele emulou ao longo de sua campanha a imagem do líder sindical Castillo, um professor que chegou à presidência.

Agora preso e condenado a mais de 11 anos por uma tentativa frustrada de dissolver o Congresso, Castillo continua popular entre os setores mais pobres dos Andes. 

"Ele será libertado pelo nosso governo, de acordo com a prerrogativa presidencial que confere" o poder de conceder indulto, afirmou Sánchez. 

O candidato do Juntos pelo Peru prometeu uma "nova Constituição" e o estabelecimento de um "Estado plurinacional" para governar com os povos indígenas, como fez Evo Morales na Bolívia.

"Há um imenso desejo de mudança" entre as populações marginalizadas, disse ele à AFP.

Sánchez representa "um voto rural (...), com certas identificações menos brancas, mais questionadoras, mais à esquerda, mais exigentes e mais inclusivas", afirma o cientista político Jorge Aragón. 

Segundo o analista, o esquerdista seria um adversário mais difícil para Keiko Fujimori em um segundo turno do que López Aliaga. Se isso acontecesse, "de certa forma, a eleição de 2021 se repetiria", na qual a candidata de direita perdeu para Castillo.

- "Nulidade" -

As eleições presidenciais de domingo foram afetadas por problemas na distribuição de cédulas e urnas, o que gerou atrasos na abertura de dezenas de seções eleitorais em Lima.

Quase 50 mil pessoas não conseguiram votar, o que obrigou as autoridades a convocá-las novamente às urnas na segunda-feira. 

O Júri Nacional de Eleições apresentou uma denúncia contra o chefe do Onpe, Piero Corvetto, e outros três funcionários por supostos crimes contra o direito ao voto. 

O ultraconservador López Aliaga, ex-prefeito de Lima e admirador de Trump, criticou as eleições e pediu às autoridades que as anulassem, alegando fraude. 

"Eu dou 24 horas para que declarem a nulidade absoluta desta fraude eleitoral", disse López Aliaga diante de centenas de apoiadores que se reuniram na terça-feira diante do principal tribunal eleitoral de Lima.

A líder comunitária Jennifer Jiménez, de 38 anos, gritou em apoio a "Porky", como o candidato religioso de direita se autodenomina. 

"Temos que garantir que nosso voto seja respeitado... Não aceitamos esses resultados", disse a manifestante. 

Uma missão de observadores da União Europeia relatou não ter encontrado evidências que corroborassem "uma narrativa de fraude".

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gta/mar/aa/fp

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