Peruanos esperam resultados de eleições acirradas após dois dias caóticos
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Os peruanos aguardam nesta terça-feira (14) os resultados da caótica eleição presidencial que durou dois dias, com Keiko Fujimori liderando a contagem preliminar e uma disputa incerta pela segunda vaga no segundo turno de junho.
Com 76% das atas contabilizadas, a candidata de direita, de 50 anos, tem 17% dos votos válidos.
Na disputa acirrada, seguem-na o ultraconservador Rafael López Aliaga, o social-democrata Jorge Nieto e o esquerdista Roberto Sánchez.
O caos na organização dessas eleições acrescenta mais um elemento à forte crise política neste país rico em recursos minerais, que teve oito presidentes em uma década, vários deles destituídos pelo Congresso.
A jornada de domingo no Peru, onde o voto é obrigatório, foi marcada por atrasos na abertura dos locais de votação devido a problemas na distribuição de cédulas, urnas e outros materiais.
"Foi um fracasso absoluto da democracia", disse à AFP Luis Gómez, trabalhador autônomo de 60 anos em um distrito do sul de Lima.
A autoridade eleitoral teve que estender até segunda-feira a votação para mais de 50 mil peruanos que ficaram sem votar em 13 locais que não abriram no domingo.
O Jurado Nacional de Eleições, o principal tribunal eleitoral, denunciou na segunda-feira o chefe da entidade organizadora das eleições (ONPE), Piero Corvetto, e outros três funcionários por crimes contra o direito ao voto. Um deles foi detido.
Policiais e promotores realizaram buscas nos escritórios da ONPE no domingo para recolher documentação sobre a contratação da empresa responsável pela distribuição dos materiais.
"É muito grave o que aconteceu", disse à AFP o cientista político Eduardo Dargent. "Isso deu munição, no pior momento, a muita gente que, insatisfeita com o resultado, vai gritar 'fraude' ou algo pior", advertiu.
- Mal-estar -
"Não há controle de nada. Então não sabemos se, na verdade, os resultados são reais. Teriam que ser feitas novas eleições", opina Yeraldine Garrido, recepcionista de 35 anos.
A apuração avança lentamente enquanto os eleitores permanecem na expectativa, alguns com suspeitas após toda a turbulência dessas eleições nas quais concorreram um recorde de 35 candidatos presidenciais.
Com o passar das horas, a diferença entre os três candidatos que disputam o segundo lugar diminui.
A única que aparece como clara favorita para ir ao segundo turno de 7 de junho é Keiko Fujimori.
"Os números estão muito apertados entre cada candidato. O que temos que fazer é esperar com prudência", declarou a líder do partido Força Popular nesta terça-feira a jornalistas, ao sair de sua casa.
Um dia antes, ela havia celebrado com seus apoiadores uma suposta derrota do "inimigo" de esquerda, que ainda não está descartada.
O candidato mais crítico do processo eleitoral foi o ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, admirador de Donald Trump que se autodenomina "Porky" ("Gaguinho" no Brasil), o porquinho dos desenhos animados.
"Não permitam que nos roubem o futuro. Vamos às ruas", escreveu em letras maiúsculas nesta terça-feira a seus seguidores no Facebook, convocando-os para um protesto à tarde.
Durante as votações de domingo, o candidato ultraconservador já havia classificado os incidentes como parte de uma "fraude eleitoral gravíssima".
"(Não) encontramos elementos objetivos para dizer que a narrativa de fraude tenha elementos concretos que permitam assegurar" que houve fraude, afirmou a jornalistas Annalisa Corrado, chefe da missão de observação eleitoral da União Europeia.
O Peru enfrenta uma escalada violenta da criminalidade, que é a principal preocupação da população e dominou os discursos de campanha.
Os homicídios dobraram e as denúncias de extorsão aumentaram oito vezes entre 2018 e 2025, segundo dados oficiais.
Neste domingo, os peruanos também elegeram, pela primeira vez desde 1990, deputados e senadores, após mais de três décadas de um Congresso unicameral.
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bur/gta/vel/am