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Ônibus são equipados contra a extorsão no Peru, às vésperas das eleições presidenciais

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Policiais infiltrados, botões de pânico e câmeras: os ônibus de transporte público em Lima se protegem contra a extorsão que ameaça de morte seus motoristas, às vésperas de uma eleição cheia de promessas contra o crime.

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No populoso distrito de San Juan de Lurigancho, um dos mais afetados pelo aumento da criminalidade, Zacarías López, de 58 anos, começa com medo sua jornada de trabalho ao volante de um ônibus com assentos desgastados.

Durante mais de 15 horas, percorre as avenidas poeirentas do leste da metrópole, em cujos muros se veem cartazes de propaganda eleitoral.

Nas eleições presidenciais de domingo (12), a maioria dos 35 candidatos promete conter o avanço do crime.

"Prometem e nunca cumprem. Há gente que brinca com nossos sentimentos e nós continuamos sendo baleados", diz López, que teme "não voltar para casa com vida".

Pelo menos 75 motoristas foram assassinados em 2025, principalmente em Lima, segundo dados da polícia. A extorsão também ameaça escolas privadas, pequenos comerciantes e grupos musicais.

O Peru atravessa sua pior crise de segurança desde seu conflito armado interno (1980-2000). Entre 2018 e 2025, as denúncias anuais de homicídios passaram de 1.000 para 2.600, enquanto as de extorsão se multiplicaram por mais de oito, chegando a 26.500.

A explosão da criminalidade coincide com a chegada de gangues internacionais que competem violentamente com as locais.

Neste país de 34 milhões de habitantes, onde 70% dos trabalhadores atua na informalidade, a precariedade econômica favorece o recrutamento de jovens por esses grupos ilegais.

Ser motorista de ônibus no Peru tornou-se uma profissão de alto risco.

Se as empresas se recusam a pagar as quantias exigidas pelos extorsionistas, estes contratam pistoleiros para assassinar os condutores, geralmente à noite e às vezes na presença dos próprios passageiros.

- Sob pressão -

Diante da insegurança, as empresas de transporte reforçaram suas medidas de prevenção com câmeras, geolocalização e presença policial, tanto uniformizada quanto à paisana.

Em um depósito da empresa Santa Catalina, onde López trabalha, um centro de videovigilância foi inaugurado na quarta-feira para acompanhar em tempo real suas unidades, que agora contam com botões de pânico.

Embora alguns motoristas considerem essas medidas insuficientes.

"Se o criminoso vier por trás (...), não vai me dar tempo nem de apertar o botão", diz López, enquanto ele mesmo cobra as passagens dos passageiros.

Os cidadãos também continuam preocupados, apesar dessas medidas.

"Não há segurança em lugar nenhum", afirma Maruja Castillo, de 70 anos, que pegou o ônibus para ir ao médico.

Uma faixa com fitas pretas em memória de um de seus motoristas, assassinado em março, está pendurada no depósito da Santa Catalina.

"Já vimos promessas que nunca foram cumpridas, mas não perdemos a esperança de que um novo governo melhore" a crise de criminalidade, diz Eiffel Calla, de 38 anos, chefe de segurança da empresa.

Muitos motoristas deixaram a companhia devido aos frequentes ataques.

A empresa, que nos últimos meses afirma ter sido extorquida por seis grupos criminosos, busca novos condutores por meio de anúncios colados em seus ônibus.

A maioria dos candidatos à presidência promete recuperar a autoridade no combate ao crime.

Entre as propostas mais radicais estão recompensas a policiais por abater criminosos, a reinstauração da pena de morte ou o encarceramento de criminosos em prisões no meio da selva.

"Todos os candidatos vão dizer o que o povo quer ouvir, mas daí a cumprir (...) é outra coisa", afirma a passageira Victoria Pérez, de 49 anos.

Ela ainda não sabe em quem votar, assim como 16% dos peruanos, segundo a empresa de pesquisas Ipsos.

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cm-sf/gta/mel/am

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