Internacional

Estados Unidos e Irã mantêm uma trégua precária

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Os Estados Unidos e o Irã mantêm uma trégua precária nesta quarta-feira (8), com duração prevista de duas semanas e que permitiria a reabertura completa do Estreito de Ormuz, embora os ataques tenham continuado no Golfo horas após o anúncio. 

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Dois navios conseguiram cruzar essa via navegável estratégica, mas a desconfiança persiste em ambos os lados. 

O vice-presidente americano, JD Vance, alertou que o cessar-fogo é "frágil", e a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, esclareceu que está "com o dedo no gatilho" e não tem "nenhuma confiança" nas promessas de Washington. 

No terreno, o Kuwait relatou ter sido alvo de uma "intensa onda de ataques" iranianos nas últimas horas, que danificaram instalações petrolíferas, usinas de energia e usinas de dessalinização, segundo o exército.

Disparos de mísseis e drones também foram relatados nos Emirados Árabes Unidos. 

O Irã alegou estar respondendo a bombardeios anteriores contra suas instalações petrolíferas. 

Após uma terça-feira marcada por bombardeios e ameaças de aniquilação da "civilização" iraniana por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, o anúncio de um cessar-fogo ocorreu no meio da noite no Irã. 

"Meus amigos mais próximos e eu estamos um pouco confusos. De quê serviu tudo isso? Eles atacaram instalações nucleares e de mísseis para ganhar tempo, mas, na realidade, nada mudou para o povo iraniano", disse à AFP um corretor da bolsa de 30 anos, na capital. 

"A república islâmica agora se sente vitoriosa, e não acho que isso dará muitas opções aos americanos nas negociações", acrescentou.

- "Vitória total" -

O Irã e os Estados Unidos reivindicaram separadamente a vitória. 

"Uma vitória total e completa. 100%. Sem dúvida", disse Donald Trump à AFP por telefone logo após o anúncio. 

Ele também afirmou que a questão do urânio iraniano, que os países ocidentais alegam poder ser usado para fabricar bombas nucleares, será "perfeitamente resolvida". 

"Não haverá enriquecimento de urânio, e os Estados Unidos, trabalhando com o Irã, irão desenterrar e remover toda a 'poeira' nuclear profundamente enterrada", disse Trump horas depois em sua plataforma, Truth Social. 

Um tom triunfalista também foi ouvido em Teerã. "O Irã alcançou uma grande vitória", proclamou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, mas esclareceu que a trégua não significa "o fim da guerra" e que o Irã só aceitará a cessação das hostilidades após a conclusão das negociações. 

As autoridades iranianas anunciaram conversas com representantes de Washington a partir de sexta-feira no Paquistão, que tem desempenhado um papel fundamental como mediador.

Espera-se que as negociações durem duas semanas, período que poderá ser prorrogado caso ambas as partes concordem, segundo a principal agência de segurança do Irã. 

O conflito teve início em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta israelense-americana contra o Irã, que, em seu primeiro dia, resultou no assassinato do líder supremo Ali Khamenei. No mesmo dia, Trump defendeu a derrubada da república islâmica, posição que posteriormente abandonou. 

Em 2 de março, o conflito se estendeu ao Líbano, onde o exército israelense combate o movimento pró-Irã Hezbollah, apoiado por Teerã.

- Bombardeios no Líbano -

Nesta quarta-feira, Israel manteve seus bombardeios no Líbano, visando tanto o sul do país quanto os arredores de Beirute, um reduto do Hezbollah, afirmando que o cessar-fogo não se aplica a esse país, contrariando a declaração anterior do Paquistão. "A batalha continua", enfatizaram as forças armadas israelenses. 

O exército afirmou ter realizado "o maior bombardeio coordenado" contra o Hezbollah desde o início da guerra, visando "aproximadamente cem postos de comando e de infraestruturas militares" pertencentes ao movimento islamista.

Por sua vez, o Hezbollah não reivindicou a autoria de nenhum ataque contra Israel desde aproximadamente 1h00 (19h00 de terça-feira, no horário de Brasília). 

O exército israelense, no entanto, confirmou que respeitará o cessar-fogo com o Irã, embora permaneça em "alerta máximo".

- Mecanismo para Ormuz -

Um navio grego e uma embarcação com bandeira da Libéria foram os primeiros a cruzar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, segundo o site de monitoramento marítimo MarineTraffic.

A Organização Marítima Internacional (OMI), uma agência da ONU responsável pela segurança marítima, afirmou estar preparando um mecanismo para garantir o "trânsito seguro". 

Desde o início da guerra, o Irã controla essa via navegável estratégica, por onde passavam 20% dos hidrocarbonetos do mundo antes do conflito.

Trump exigiu sua "abertura total, imediata e segura" em troca de um cessar-fogo. 

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, confirmou na rede X que os líderes iranianos concordaram em reabrir o Estreito de Ormuz "por um período de duas semanas, se os ataques contra o Irã cessarem". 

Trump disse que Teerã apresentou "uma proposta de 10 pontos" que é "uma base viável para negociações".

Segundo a mídia iraniana, o plano exige o levantamento das sanções econômicas e a aceitação, por parte de Washington, do direito do Irã de enriquecer urânio. No entanto, este último ponto não foi incluído na versão em inglês do documento enviado à ONU. 

Os mercados reagiram à notícia com otimismo: os preços do petróleo, tanto o WTI quanto o Brent, caíram para menos de 100 dólares o barril; os preços do gás na Europa caíram 20%, e as bolsas de Paris e Frankfurt subiram mais de 4%.

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