Alemanha em apuros por declaração do governo sobre retorno em massa de sírios
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O governo alemão tentou, nesta quarta-feira (1º), minimizar o alcance de uma declaração feita esta semana pelo chanceler Friedrich Merz, segundo a qual 80% dos refugiados sírios seriam repatriados, e tentou atribuir este percentual ao presidente sírio, Ahmed al Sharaa, que o desmentiu.
"Não vou me lançar agora em uma interpretação de texto para determinar quais palavras foram pronunciadas pelo chanceler e quais pelo presidente" sírio, disse o porta-voz do governo, Stefan Kornelius, durante uma coletiva de imprensa.
O chanceler Merz declarou na segunda-feira, durante a visita de Al Sharaa, que quer uma deportação rápida dos sírios que tiverem cometido crimes e afirmou que ambos concordaram em que oito em cada dez sírios voltem ao seu país "nos próximos três anos".
Merz defende um endurecimento da política migratória frente ao auge da extrema direita.
O governo alemão retificou as declarações, afirmando que foi o presidente sírio que traçou esse objetivo e não Merz. Isto implicaria a repatriação em massa em um país que tem um milhão de sírios refugiados da guerra civil (2011-2024).
"Tomamos nota deste número, mas somos conscientes da magnitude da tarefa", disse o chanceler conservador nesta declaração retificadora enviada por e-mail à imprensa.
No entanto, em uma entrevista organizada pelo centro de estudos Chatham House, na terça-feira, em Londres, o líder sírio esclareceu que "não disse isso" e atribuiu o número a "outros" e assinalou o "chanceler".
O porta-voz do governo afirmou que não importa saber quem "mencionou o número nesse contexto" e destacou que "o importante é que à Síria interessa o retorno porque precisa dessas pessoas" para a reconstrução do país.
Além disso, afirmou que a Alemanha não está mais sujeita ao cumprimento de seu "dever de proteção" porque não há mais conflito, após a derrubada do regime de Bashar al Assad.
O início de um processo de estabilização do país após quase 14 anos de guerra civil tem sido marcado por confrontos mortais e numerosas acusações de violações dos direitos humanos.
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