O Brasil lançou nesta segunda-feira um plano nacional sobre o clima para a próxima década, em que destaca a proteção florestal como principal estratégia para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Esta é a primeira vez desde 2008 que o país revisa su principal programa para aplacar as mudanças climáticas e se adaptar aos seus efeitos.
O plano mira em 2035, quando se espera que o país tenha reduzido em 67% as emissões de gases do efeito estufa em relação aos níveis de 2005, segundo as metas fixadas pelo governo Lula.
As emissões de gases do efeito estufa no país têm origem principalmente no desmatamento (40%), ligado a práticas ilegais para ampliar as superfícies agrícolas, mostram os dados oficiais mais recentes, de 2022.
Lula prometeu reduzir o desmatamento a zero até 2030. Segundo o novo plano climático, ao qual a AFP teve acesso, a meta vai consolidar esse setor como "principal vetor de redução de emissões líquidas até 2035".
O país foi atingido nos últimos anos por desastres climáticos extremos, desde inundações até incêndios e secas, que especialistas associam às mudanças climáticas. "A gente vive uma situação gravíssima de emergência climática", destacou em entrevista coletiva a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. "O Plano Clima vai orientar as ações do governo, tanto nas agendas de adaptação quanto de mitigação."
Em nota, o governo informou que o plano, elaborado durante mais de dois anos, "representa um compromisso coletivo com a transição para uma economia de baixo carbono no curto prazo e para a neutralidade de emissões nas próximas décadas".
Cláudio Angelo, da rede de ONGs Observatório do Clima, saudou o fato de o novo plano começar "a tratar da questão espinhosa de como financiar" as metas climáticas. "Mas ele está longe de fazer a transformação econômica de que precisamos para dar a contribuição justa do Brasil para um mundo de 1,5°C" em relação à era pré-industrial, ressaltou, citado em comunicado.
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