ONU está preocupada com criação de novo 'território ocupado' no Líbano
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O chefe de assuntos humanitários da ONU, Tom Fletcher, manifestou sua preocupação pela possível criação de um novo "território ocupado" no Oriente Médio, desta vez no Líbano, depois de um ministro israelense ter defendido a ocupação do sul do país após a guerra.
"Dada a magnitude do deslocamento forçado que estamos presenciando, como devemos, enquanto comunidade internacional, nos preparar para a incorporação de outro território à lista de territórios ocupados?", perguntou durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança nesta terça-feira (31).
"Considerando a trajetória descrita por alguns ministros israelenses e o que observamos claramente em Gaza, como vão proteger a população civil?", insistiu diante de seus interlocutores.
Estas declarações ocorrem após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmar na segunda-feira (30) que, após o conflito em curso entre Hezbollah e o exército israelense, seu país estabeleceria uma área de segurança "no Líbano" e manteria o "controle de segurança de toda a área até o rio Litani", que corre cerca de 30 quilômetros ao norte da linha de demarcação entre Israel e Líbano.
No início de março, o ministro das Finanças de Israel de extrema direita, Bezalel Smotrich, ameaçou devastar os subúrbios do sul de Beirute, bastião do movimento islamista libanês pró-iraniano Hezbollah, ao mesmo nível do que tem infligido a Gaza desde outubro de 2023.
Em uma mensagem por videoconferência em Beirute, Fletcher descreveu uma "ansiedade e tensão a um nível que não via há anos" e mencionou o som dos ataques aéreos nos subúrbios da capital libanesa e o zumbido constante dos drones.
"No Líbano, mais de 1,1 milhão de pessoas foram mobilizadas nas últimas quatro semanas, incluindo 370 mil crianças. E mais de 200 mil pessoas cruzaram para a Síria em um mês", lamentou.
"Há um ciclo de deslocamentos forçados, o que aumenta as ameaças, especialmente para mulheres e meninas em lugares distantes e superlotados", acrescentou.
O Líbano se viu arrastado para a guerra na sequência de um ataque perpetrado em 2 de março pelo movimento islamista Hezbollah contra Israel, em represália pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia do conflito no Oriente Médio.
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abd/pno/dg/nn/rm