Trump protagoniza sua guinada mais espetacular em relação ao Irã
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acostumou os mercados e a comunidade internacional a mudanças abruptas, mas sua reviravolta de 180 graus sobre o Irã nesta segunda-feira (23) é o exemplo mais espetacular até agora.
Desde seu retorno ao poder no ano passado, ele assumiu abertamente governar "por instinto".
No que diz respeito ao conflito com o Irã, Trump multiplicou declarações contraditórias sobre objetivos e prazos. Em 13 de março, chegou a afirmar que a guerra terminaria quando ele "sentisse isso nas entranhas".
"Trump tem sido um mestre das mudanças repentinas de rumo. Assim, às vezes é difícil saber se há uma estratégia ou se ele simplesmente está improvisando o tempo todo", explicou Garret Martin, professor da American University de Washington.
Essas reviravoltas seguem invariavelmente a mesma trajetória.
O republicano lança ameaças comerciais, diplomáticas ou militares — muitas vezes acompanhadas de ultimatos — que deixam o mundo inteiro atônito.
Depois, recua de forma abrupta em seus planos, afirma ter obtido concessões decisivas que raramente detalha e promete uma resolução da crise, o que provoca fortes oscilações nos mercados.
Nesta segunda-feira, os preços do petróleo despencaram de forma espetacular depois que ele anunciou em sua plataforma Truth Social que estavam ocorrendo conversas sobre um cessar do conflito com autoridades iranianas.
Imediatamente após a publicação de sua mensagem, o preço do barril de Brent do mar do Norte caiu brevemente mais de 14%.
Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate, perdeu quase 10%.
Autoridades iranianas negaram que negociações estivessem em curso, o que reduziu parcialmente o entusiasmo observado nas bolsas.
- Ultimato de 48 horas -
Trump deu neste fim de semana "48 horas" ao Irã para que reabrisse o Estreito de Ormuz — uma passagem vital para o comércio de petróleo — sob a ameaça de bombardeios maciços contra as centrais elétricas do país, sem mencionar qualquer diálogo.
Nesta segunda-feira, estabeleceu um novo prazo, desta vez de cinco dias, para que o diálogo continuasse.
Falou de discussões "muito produtivas" com autoridades iranianas "muito sólidas", sem identificá-las.
"Toda a minha vida foi uma negociação, mas com o Irã estamos negociando há muito tempo. E desta vez eles vão falar sério!", afirmou o presidente americano em um discurso em Memphis (sul).
- Irã desmente -
Trump considera que a flexibilidade deve ser o principal instrumento na hora de negociar.
Os críticos consideram que, na realidade, essa estratégia acaba sempre em concessões, como quando decretou fortes tarifas ao resto do mundo em 2 de abril de 2025, para depois anunciar uma pausa de 90 dias.
Ou quando recuou repentinamente em suas ameaças sobre a Groenlândia, ou nas dirigidas ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
Seus apoiadores consideram que isso faz parte de sua forma de negociar desde seus tempos como empresário imobiliário em Nova York, uma cidade conhecida pela dificuldade em obter licenças oficiais e fechar acordos com sindicatos.
Primeiro, ele eleva muito o nível de exigência para ver a reação dos interlocutores, e depois negocia.
O desmentido vindo de Teerã reduziu parcialmente o entusiasmo observado nas bolsas.
Os aliados e adversários dos Estados Unidos já sabem que "sempre há algo de precário com esta administração; as promessas são válidas apenas no momento em que são feitas", afirma Garret Martin, especialista em relações internacionais.
Esse especialista sugere que, no caso do Irã, Trump recuou devido a três fatores: o nervosismo dos mercados, a possível pressão dos países do Golfo e o surgimento de "tensões" dentro de seu próprio movimento político "MAGA" (Make America Great Again) sobre o possível custo do conflito.
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aue-jz/vel/am