Ali Larijani, o homem cujo poder no Irã cresceu com a guerra
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Quando os ataques israelenses e americanos mataram o aiatolá Ali Khamenei no início da guerra do Oriente Médio, o chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, Ali Larijani, tornou-se ainda mais poderoso do que havia sido em décadas.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta terça-feira (17) que Larijani foi eliminado, mas as autoridades iranianas ainda não confirmaram a morte.
Desde o início da guerra, Larijani desempenhou um papel muito mais visível do que o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde que foi nomeado para suceder o pai.
O chefe de Segurança foi visto caminhando entre a multidão em um comício pró-governo na semana passada em Teerã, em uma demonstração de desafio a Israel e aos Estados Unidos.
Sua morte, se confirmada, seria um grande golpe para o Irã, pois significaria a perda de uma figura-chave considerada hábil em navegar tanto no terreno ideológico quanto no diplomático.
- Pragmático -
Hábil em equilibrar lealdade ideológica com pragmatismo, Larijani desempenhou um papel fundamental antes da guerra, tanto na política nuclear quanto na diplomacia.
Usando óculos e conhecido por seu tom ponderado, acredita-se que o político, de 68 anos, gozava da confiança do falecido Khamenei, após uma longa carreira nas Forças Armadas, na imprensa e no Legislativo.
Em 2025, após a última guerra do Irã contra Israel e os Estados Unidos, ele foi nomeado chefe do principal órgão de segurança do Irã, o Conselho Supremo de Segurança Nacional — cargo que já havia ocupado quase duas décadas antes —, coordenando estratégias de defesa e supervisionando a política nuclear.
Posteriormente, ele ascendeu à proeminência na arena diplomática, viajando para países do Golfo, como Omã e Catar, enquanto Teerã se envolvia cautelosamente em negociações nucleares que acabaram interrompidas pela guerra.
- "Astuto" -
"Larijani é um verdadeiro especialista no sistema, um operador astuto que sabe exatamente como ele funciona", explicou Ali Vaez, diretor do projeto Irã do International Crisis Group, antes do início da guerra no Oriente Médio.
Nascido em Najaf, Iraque, em 1957, filho de um proeminente clérigo xiita próximo ao fundador da República Islâmica, o aiatolá Khomeini, a família de Larijani tem sido influente no sistema político iraniano por décadas.
Alguns de seus parentes enfrentaram acusações de corrupção ao longo dos anos, as quais negaram.
Ele obteve um doutorado em Filosofia Ocidental pela Universidade de Teerã.
Veterano da Guarda Revolucionária durante a guerra Irã-Iraque, Larijani posteriormente chefiou a emissora estatal IRIB por uma década, a partir de 1994, antes de servir como presidente do Parlamento de 2008 a 2020.
Em 1996, foi nomeado representante de Khamenei no Conselho Supremo de Segurança Nacional. Posteriormente, tornou-se secretário deste conselho e principal negociador nuclear, liderando as conversações com Reino Unido, França, Alemanha e Rússia entre 2005 e 2007.
Ele concorreu à presidência em 2005, mas perdeu para o candidato populista Mahmoud Ahmadinejad, com quem posteriormente teve divergências sobre a diplomacia nuclear.
Larijani foi então impedido de concorrer novamente à presidência em 2021 e 2024.
Observadores consideraram seu retorno à presidência do Conselho Supremo de Segurança Nacional uma mudança que refletia sua reputação de conservador capaz de combinar compromisso ideológico com pragmatismo.
Larijani apoiou o histórico acordo nuclear de 2015 com as potências mundiais, que fracassou três anos depois, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou seu país do pacto.
Em março de 2025, Larijani alertou que a pressão externa poderia alterar a postura nuclear do Irã.
"Não estamos caminhando em direção às armas (nucleares), mas se eles fizerem algo errado na questão nuclear iraniana, forçarão o Irã a seguir nessa direção, porque ele precisa se defender", disse à televisão estatal.
Larijani insistiu repetidamente que as negociações com Washington deveriam se limitar à questão nuclear e defendeu o enriquecimento de urânio como um direito soberano do Irã.
- Repressão violenta -
Larijani foi um dos funcionários sancionados pelos Estados Unidos em janeiro por, segundo Washington, "reprimir violentamente o povo iraniano" após protestos que eclodiram em todo o país semanas antes contra o aumento do custo de vida.
De acordo com grupos de direitos humanos, milhares de pessoas morreram na brutal repressão às manifestações.
Larijani reconheceu que as pressões econômicas "desencadearam os protestos", mas atribuiu a violência à interferência estrangeira dos Estados Unidos e de Israel.
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bur/ser/dcp/al/erl/aa/fp