Internacional

Trump foi 'positivo' para o setor financeiro nos EUA, diz CEO do Nubank

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O Nubank, um dos maiores bancos digitais do mundo, está a um passo de entrar no desafiador mercado financeiro dos Estados Unidos, onde Donald Trump criou um ambiente "positivo" para o setor, disse à AFP seu CEO, David Vélez.

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Sob a promessa de libertar seus usuários da burocracia bancária, a empresa, com 131 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, tornou-se nos últimos anos uma das mais valiosas da região.

Em 2025, registrou receita recorde: faturou 16,3 bilhões de dólares (R$ 84,13 bilhões), 45% a mais que no ano anterior.

Fundada pelo empresário colombiano Vélez e dois sócios, a companhia nasceu em 2013 em São Paulo com a proposta de eliminar completamente o atendimento presencial.

Mais de uma década depois, seis em cada dez brasileiros adultos são seus clientes.

O Nubank obteve em janeiro uma aprovação condicional para operar como banco nos Estados Unidos, o maior mercado financeiro do mundo, e agora aguarda a licença definitiva.

Vélez, de 44 anos, cuja família deixou a Colômbia por causa da violência do tráfico de drogas quando ele era criança, afirma que a empresa tem ambições "globais" de longo prazo, com a inteligência artificial como pilar.

O Nubank aposta em uma imagem moderna: durante um período contou com a cantora Anitta como sócia e embaixadora e agora acaba de firmar um acordo com o Inter Miami de Lionel Messi para dar nome ao seu estádio.

Confira, a seguir, trechos da entrevista on-line editados para melhor compreensão.

PERGUNTA: Os Estados Unidos têm sido um mercado hostil para fintechs estrangeiras. Por que o Nubank funcionaria?

RESPOSTA: "Por muito tempo os Estados Unidos ficaram fechados a conceder novas licenças bancárias. Isso mudou com a administração Trump. E representa metade do mercado financeiro global: podemos atender muitos consumidores que hoje são mal atendidos financeiramente. Nossa vantagem de custo operacional, por sermos 100% digitais, nos oferece uma oportunidade interessante".

P: Como vê o mercado financeiro sob o governo de Trump?

R: "Nessa área foi positivo. Na administração passada havia grande incerteza sobre todos os novos modelos de negócio, por exemplo criptomoedas. E o regulador foi muito fechado à criação de novos bancos. Isso beneficiou muito os grandes bancos. Esta administração começou a promover mais concorrência e a reduzir as barreiras de entrada".

P: Os bancos tradicionais vão desaparecer?

R: "O modelo de banco digital é o modelo vencedor para digitalizar 90% da população mundial. Nosso custo para atender um cliente é 4% ou 5% do custo de um banco tradicional. No futuro haverá bancos tradicionais que terão se transformado e continuarão existindo, e outros que não".

P: O atendimento bancário presencial desaparecerá?

R: "Sempre haverá um espaço, mas muito mais reduzido. Entre 90% e 95% dos serviços financeiros globais podem ser digitalizados".

- "Clientes de 90 anos" -

P: A digitalização pode excluir os mais velhos?

R: "Eles também acabam se digitalizando. Temos clientes de 90 anos. Eles não nos dão uma métrica de qualidade tão alta quanto os de 25, mas conseguem utilizar muito bem o produto. A IA permite uma personalização muito mais específica".

P: Que problemas a IA apresenta no setor financeiro?

R: "O maior desafio é o controle de dados e o respeito aos dados do usuário. O que a IA executa deve se basear na regulamentação já existente. Por exemplo, se um algoritmo está dando ao cliente um conselho financeiro, deve cumprir a mesma regulamentação que já obriga um humano a dar o conselho correto".

P: A IA substituirá o trabalho humano no setor?

R: "Não completamente. É possível melhorar a eficiência com automação em muitos processos. Mas também há áreas-chave, como os modelos de crédito, que precisam de verificação e decisões humanas. Muitos desses modelos de IA ainda têm problemas de alucinações, que podem representar um risco gigantesco para qualquer banco".

P: Como vê o mercado financeiro no Brasil sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva?

R: "Uma coisa que o Brasil fez muito bem é que a regulação financeira foi surpreendentemente consistente em todas as administrações, de Lula e Dilma (Rousseff) a (Michel) Temer e (Jair) Bolsonaro. Os agentes competentes na indústria financeira ganharam dinheiro no Brasil".

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