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Lula insta África do Sul a cooperar na defesa: 'Qualquer dia alguém invade a gente'

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, instou, nesta segunda-feira (9), seu colega sul-africano, Cyril Ramaphosa, a ampliar a cooperação na área da defesa ao advertir que os dois países são suscetíveis a uma invasão estrangeira.

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Os dois presidentes se mostraram críticos à guerra que Estados Unidos e Israel iniciaram no Oriente Médio.

"Eu não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente", disse Lula em uma declaração em Brasília ao lado do sul-africano, que está em visita de Estado.

"Então essa é uma coisa que o Brasil tem necessidade similar à necessidade da África do Sul", afirmou Lula, sem mencionar uma ameaça específica de nenhum país.

"Nós precisamos juntar nosso potencial e ver o que a gente pode produzir junto, construir junto. Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas", enfatizou Lula.

Ramaphosa comentou, por sua vez, que "na defesa e na aviação, vocês (os brasileiros) estão muito mais avançados. Temos muito o que aprender uns com os outros, e também temos muito o que mostrar a vocês".

Lula comemorou que os ministros da Defesa dos dois países tivessem uma reunião planejada para esta segunda-feira e antecipou um "Acordo sobre Cooperação em Assuntos Relativos à Defesa", que "abrirá a possibilidade de novos projetos conjuntos".

"Na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra. Então, nós pensamos em defesa como dissuasão", disse.

África do Sul e Brasil são membros do Brics, bloco de países emergentes que o presidente americano, Donald Trump, tachou de "antiamericano".

China, Rússia e Irã também fazem parte do Brics.

As declarações de Lula coincidem com informações noticiadas pela imprensa sobre um telefonema entre seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e seu homólogo americano, Marco Rubio, para abordar a possível designação das duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por Washington.

Consultado pela AFP, o Palácio do Itamaraty não confirmou esta conversa.

Em 2025, a oposição tentou sem sucesso aprovar uma lei para catalogar como terroristas o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), as duas maiores organizações criminosas do país.

Lula se opôs abertamente a essa medida e tem sido crítico com os ataques do governo americano contra supostas lanchas usadas elo narcotráfico no Pacífico e no Caribe, que deixaram mais de 150 mortos desde setembro.

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jss/app/dga/mvv/am

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