Congresso reelege juiz questionado para o principal tribunal da Guatemala
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O Congresso da Guatemala reelegeu nesta sexta-feira (6) o questionado advogado Roberto Molina Barreto como juiz do principal tribunal do país, apesar das acusações de favorecimento a narcotraficantes, integrantes de gangues e ao falecido ditador Efraín Ríos Montt.
A Guatemala está envolvida desde janeiro em um processo para definir os integrantes de suas principais instâncias judiciais, o que, segundo o presidente social-democrata Bernardo Arévalo, representa uma oportunidade para desarticular a corrupção enraizada no Judiciário.
A reeleição para a Corte de Constitucionalidade (2026-2031) ocorreu em um cenário de protestos diante do Congresso. A sessão maratônica durou quase 15 horas e foi marcada por empurrões entre deputados e apagões.
Antes da sessão plenária, Arévalo pediu aos congressistas que rejeitassem as "pressões externas".
Na terça-feira, ele disse que pediria ao Departamento de Estado americano que esclarecesse as supostas versões de que os Estados Unidos apoiam Molina Barreto.
A Corte de Constitucionalidade é integrada por 10 magistrados, cinco titulares e cinco suplentes, designados pelo Congresso, pela Ordem dos Advogados, pela Suprema Corte de Justiça, pela Universidade Estatal e pelo presidente.
Roberto Molina Barreto tem um legado questionado por ter beneficiado, em suas decisões, grupos de poder durante seus três mandatos na corte, cujas sentenças não podem ser objeto de recurso.
Em 2013, ele assinou a anulação, por erros processuais, de uma sentença de 80 anos de prisão contra o ex-ditador Efraín Ríos Montt (1982-1983), condenado por genocídio de indígenas durante a guerra.
Ele também travou a persecução penal contra supostos narcotraficantes investigados pelos Estados Unidos e favoreceu Aldo Ochoa, conhecido como "El Lobo", um dos líderes da gangue Barrio 18, declarada uma organização terrorista por Washington.
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