Marido de deputada trabalhista britânica é preso por suspeita de espionagem para China
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A polícia britânica prendeu, nesta quarta-feira (4), três homens suspeitos de espionagem para a China, entre eles o cônjuge de uma deputada trabalhista, em mais um caso embaraçoso para o governo de Keir Starmer, criticado por sua falta de firmeza com Pequim.
David Taylor, marido da deputada escocesa Joani Reid, está entre os três detidos pela polícia britânica, no âmbito de uma investigação conduzida pela divisão antiterrorismo na Inglaterra e no País de Gales.
Taylor, de 39 anos, está listado como "lobista" na relação de interesses registrados de Reid. De acordo com sua página no LinkedIn, ele trabalha para a Asia House, um centro de estudos especializado na Ásia.
Após o anúncio no Parlamento sobre as prisões, feito pelo ministro da Segurança, Dan Jarvis, a deputada escocesa divulgou um comunicado em que busca se distanciar do trabalho do marido.
"Não estou envolvida nas atividades profissionais do meu marido e nem eu nem meus filhos estamos implicados nesta investigação", ressaltou Reid.
"Nunca vi nada que me levasse a suspeitar que meu marido tivesse infringido a lei. Desde que sou deputada não me reuni com empresários, diplomatas ou funcionários chineses, nem transmiti qualquer preocupação a ministros ou a qualquer outra pessoa em nome de interesses chineses", acrescentou.
A líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, afirmou que um dos outros dois homens detidos é "o cônjuge de uma ex-deputada trabalhista", sem mencioná-lo pelo nome, em um vídeo divulgado no X. Se a alegação for confirmada, isso tornaria o caso ainda mais desconfortável para Starmer.
A polícia londrina forneceu pouquíssimas informações sobre a natureza da investigação que levou às três detenções, indicando apenas a idade dos suspeitos e os locais das prisões, uma em Londres e duas no País de Gales.
O ministro Dan Jarvis declarou diante do Parlamento que as prisões demonstram a determinação do governo Starmer de "combater as ingerências" de Estados estrangeiros, em particular da China.
As críticas contra o governo britânico e suas relações com o país asiático se intensificaram após o sinal verde dado em janeiro para a construção de uma superembaixada chinesa em Londres, alimentando temores de espionagem.
Somou-se ainda uma viagem de Starmer à China, a primeira de um dirigente britânico desde 2018.
Em 2023, Londres havia acusado Pequim de manter "postos policiais secretos" no Reino Unido, supostamente encarregados de intimidar opositores e fugitivos econômicos. A China negou a existência de tais postos.
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