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Hezbollah arrasta Líbano para guerra com ataques a Israel

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O governo do Líbano proibiu, nesta segunda-feira (2), as atividades militares do Hezbollah, depois que os ataques deste movimento apoiado pelo Irã arrastaram o país para a guerra regional entre Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.

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O Exército israelense bombardeou o Líbano nesta segunda e matou pelo menos 52 pessoas, informaram as autoridades, depois que o Hezbollah reivindicou a autoria do lançamento de foguetes contra Israel após o assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, declarou a "proibição imediata de todas as ações militares e de segurança do Hezbollah", e exigiu que o movimento islamista xiita entregue suas armas e se limite à política.

O Hezbollah respondeu condenando a declaração e afirmou que os libaneses esperavam um pronunciamento de repúdio à "agressão".

O chefe do Exército israelense, o general Eyal Zamir, afirmou que os bombardeios contra o Hezbollah poderiam durar "muitos" dias mais e o porta-voz militar Effie Defrin advertiu que o movimento islamista "vai pagar caro".

Mais tarde, o general Defrin afirmou que "todas as opções estão sobre a mesa" quando perguntado por um jornalista se Israel poderia ampliar seus ataques com uma ofensiva terrestre.

"Também estamos operando no Líbano para eliminar uma ameaça significativa [...] Definitivamente, todas as opções estão sobre a mesa. Vamos atuar para desarmar o Hezbollah", respondeu Defrin.

Os ataques israelenses ocorreram após os lançamentos de foguetes e drones a partir do Líbano, o primeiro ataque contra Israel reivindicado pelo Hezbollah desde o acordo de cessar-fogo de novembro de 2024 que pôs fim a mais de um ano de guerra entre ambas as partes.

Os bombardeios israelenses contra redutos do Hezbollah no Líbano deixaram pelo menos 52 mortos e 154 feridos, segundo um novo balanço oficial publicado nesta segunda-feira. Além disso, obrigaram 28.500 pessoas a deixarem suas casas.

O Exército israelense disse que direcionou seus ataques contra vários dirigentes do Hezbollah em Beirute e no sul do país, e afirmou que matou o chefe do serviço de inteligência do grupo, Hussein Mukalled, em um ataque na capital libanesa no domingo.

O movimento armado pró-Irã prometeu "fazer frente à agressão" de Israel e Estados Unidos após a morte do aiatolá Khamenei. Nesta segunda-feira, anunciou ter disparado mísseis e drones contra a região de Haifa, no norte de Israel.

- Fugir sem levar nada -

Nesta segunda-feira, o Exército israelense afirmou ter bombardeado alvos em "todo" o país e ordenou os moradores de cerca de 50 localidades a deixarem suas casas.

Um jornalista da AFP constatou que moradores do sul do país fugiram de carro, com colchões amarrados no teto, após a advertência israelense, e o tráfego intenso procedente do sul congestionou as estradas da cidade libanesa de Sídon, ao sul da capital.

"Saímos às pressas, sem pegar nada, nem sequer roupas ou comida para a minha filha", disse Hassan, um morador de Beirute de 30 anos, proprietário de uma cafeteria. Ele acrescentou que levou sua família "para as montanhas" no meio da noite.

Izdihar Yassine, que vive na localidade de Qsaybeh, no sul do país, foi impedida pelos bombardeios de ir ao hospital, onde deveria passar por uma sessão de tratamento contra o câncer.

"Acordamos com o som dos obuses [...] e fugimos" com toda a família, disse. Não tiveram tempo de levar nada, acrescentou. 

O general Rafi Milo, chefe do comando norte do Exército de Israel, indicou que tropas foram destacadas ao longo da fronteira e descartou que a população do norte do país tivesse que evacuar.

Para além da mudança de poder no Irã, Estados Unidos e Israel buscam, com a nova ofensiva contra Teerã, aniquilar "o eixo de resistência" liderado pelo Irã.

O Irã apoia forças na região que financia e arma: os grupos islamistas Hezbollah, no Líbano, e Hamas, em Gaza, além dos rebeldes huthis no Iêmen e milicias no Iraque.

O Hezbollah ficou enfraquecido após a guerra com Israel, na qual entrou de maneira unilateral em outubro de 2023 para apoiar o Hamas, que combatia o Exército israelense na Faixa de Gaza.

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