Presidente do Panamá minimiza possíveis represálias da China pelo caso dos portos
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O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, minimizou nesta quinta-feira (26) o alcance de eventuais represálias chinesas por anular a concessão de dois portos a uma empresa de Hong Kong no canal interoceânico.
Na última segunda-feira, as autoridades panamenhas assumiram o controle dos portos de Balboa, no Pacífico, e de Cristóbal, no Atlântico, em cumprimento a uma decisão judicial que anulou o contrato pelo qual a Panama Ports Company, subsidiária da Hutchison, administrava esses terminais desde 1997.
"Não vai acontecer nada e, se acontecer, veremos", disse Mulino ao ser questionado sobre hipotéticas medidas da China em sua coletiva de imprensa semanal.
Após a ocupação dos portos, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que "a parte chinesa defenderá firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas", segundo publicou a embaixada da China no Panamá no Instagram.
Antes da sentença da Suprema Corte, a China havia ameaçado fazer o Panamá pagar "um alto preço" por cancelar a concessão. Mas Mulino enfatizou que o gigante asiático precisa do Panamá para o comércio e o abastecimento energético.
"Tudo o que esse pessoal produz passa pelo canal. Muito do que esse pessoal vende, vende através da zona franca de Colón. E todo o gás que chega até eles passa pelo canal (...) Eles precisam mais de nós do que nós deles", declarou.
O presidente, que considera o extinto contrato com a Hutchison abusivo e opaco, insistiu que a China "é um país importantíssimo", porém "o Panamá já resistiu a momentos muito mais difíceis", ao falar sobre possíveis retaliações.
A Hutchison qualificou a tomada dos portos como "ilegal", enquanto o secretário de Comércio de Hong Kong, Algernon Yau Ying-wah, expressou sua "forte insatisfação e oposição à tomada forçada" das instalações.
A Hutchison contestou a decisão perante a Câmara de Comércio Internacional (CCI) em Paris.
Cinco por cento do comércio marítimo mundial passa pelo canal panamenho. Seus principais usuários são os Estados Unidos e a China.
O decreto de ocupação determinou que os dois portos serão operados por outras empresas de navegação durante, pelo menos, 18 meses, com a maquinaria da Hutchison.
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