Deputados britânicos pressionam o governo a divulgar documentos sobre ex-príncipe Andrew
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Deputados britânicos pediram ao governo a divulgação de documentos relacionados à nomeação do ex-príncipe Andrew como representante especial para o Comércio Internacional em 2001, após sua prisão na semana passada em conexão com o caso Epstein.
O irmão do rei Charles III foi detido por 11 horas na quinta-feira por seus vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein, um acontecimento que abalou os alicerces da monarquia britânica.
O ex-príncipe foi preso sob suspeita de má conduta em cargo público enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional entre 2001 e 2011.
Alguns dos milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em sua investigação sobre o caso Epstein parecem indicar que o então príncipe repassou informações confidenciais ao financista e criminoso sexual condenado, que cometeu suicídio na prisão em 2019.
O pedido dos deputados ocorre horas depois de a polícia de Londres ter libertado sob fiança o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, nesta terça-feira (24).
Mandelson havia sido preso no dia anterior por seus supostos vínculos com Epstein e por negligência no exercício do cargo de ministro da Indústria no governo trabalhista entre 2008 e 2010.
- Moção no Parlamento -
Os Partido Liberal Democrata (de centro) anunciou nesta terça-feira que apresentaria uma moção no Parlamento para obrigar o governo trabalhista a divulgar os documentos relacionados à nomeação do irmão mais novo de Charles III.
Os conservadores fizeram o mesmo no caso de Mandelson.
"O que estamos pedindo hoje é que todos os documentos relativos às verificações de antecedentes e à correspondência ministerial sejam tornados públicos", disse o líder do partido, Ed Davey, à BBC.
A ministra da Educação, Bridget Phillipson, respondeu que o governo "esclarecerá sua posição sobre esta moção ao Parlamento".
Phillipson também enfatizou que não poderia "divulgar documentos que pudessem comprometer uma investigação".
A ministra confirmou, ao mesmo tempo, a intenção do governo de publicar em março os documentos relativos à nomeação de Mandelson em Washington.
Assim como no caso do ex-príncipe Andrew, os vínculos de Mandelson com Epstein eram conhecidos.
"Chegou a hora de acabar com a era da impunidade, revogar as regras que sufocam o escrutínio ou o debate e garantir que qualquer pessoa que ocupe um cargo público seja responsabilizada por seus atos", disse Davey em um comunicado.
Embora as duas investigações sejam separadas, o jornal The Telegraph citou declarações feitas no Parlamento em 2001 por Mandelson, que considerou o então príncipe Andrew "plenamente qualificado" para servir como representante para o Comércio Internacional.
- Starmer sob pressão -
Andrew Lownie, ex-jornalista da BBC e biógrafo do ex-príncipe, disse à AFP que Mandelson e Tony Blair, primeiro-ministro trabalhista em 2001, "impuseram" a nomeação de Andrew.
Na época, Mandelson também ocupava o cargo de ministro da Indústria e Comércio.
As revelações sobre os laços de Mandelson com Epstein pressionaram o primeiro-ministro, Keir Starmer, que foi acusado de nomeá-lo sabendo que o ex-ministro tinha sido próximo do financista americano após sua condenação por crimes sexuais.
Starmer, que removeu Mandelson do cargo de embaixador em setembro de 2025 após novas informações que o ligavam a Epstein, pediu desculpas às vítimas, enquanto seu chefe de gabinete e diretor de comunicação se demitiram.
Starmer declarou há duas semanas que seu governo está "forte e unido", em uma tentativa de dissipar as dúvidas sobre uma possível renúncia.
A posição de Starmer pareceu precária quando o líder trabalhista escocês, Anas Sarwar, exigiu sua renúncia em 9 de fevereiro por ter nomeado Mandelson como embaixador.
Segundo a BBC, o governo poderá divulgar mais de 100 mil documentos relativos a Mandelson, incluindo trocas de e-mails entre o ex-embaixador e membros do governo britânico.
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