Exército do México mata poderoso chefe narcotraficante Nemesio 'El Mencho' Oseguera
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O Exército mexicano anunciou neste domingo (22) que matou o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), após uma violenta operação que abalou o estado de Jalisco.
"El Mencho", de 59 anos, era um dos chefes mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos, que ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares (R$ 78 milhões). Era um dos líderes do narcotráfico mais importantes em atividade após a prisão dos fundadores do Cartel de Sinaloa, Joaquín "El Chapo" Guzmán e Ismael "Mayo" Zambada, atualmente presos nos Estados Unidos.
O Exército informou em comunicado que "El Mencho" ficou ferido em um confronto com militares na localidade de Tapalpa, em Jalisco (oeste), e morreu "durante seu traslado por via aérea à Cidade do México".
O Exército acrescentou que, para a execução desta operação, "além dos trabalhos de inteligência militar central" (...) "contou-se com informações complementares" por parte das autoridades americanas.
No total, sete criminosos morreram e três militares ficaram feridos. Dois integrantes do CJNG foram detidos e foi apreendido diverso armamento, como lançadores de foguetes capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados, segundo a mesma fonte.
Homens armados bloquearam com carros e caminhões incendiados diversas vias de Jalisco, em resposta à operação das forças federais na região. À tarde, eram visíveis restos de veículos carbonizados e outros ainda em chamas em várias rodovias, em meio ao som das sirenes das forças de segurança.
As autoridades indicaram que 21 bloqueios rodoviários seguem ativos. O Exército acrescentou que elementos militares se concentram nos estados vizinhos a Jalisco "para reforçar a segurança".
- EUA elogia operação -
Os Estados Unidos aplaudiram a operação na qual Nemesio Oseguera foi abatido.
"Fui informado de que forças de segurança mexicanas mataram 'El Mencho', um dos chefes do narcotráfico mais sanguinários", disse na rede X Christopher Landau, subsecretário de Estado desse país.
"Este é um grande marco para o México, os Estados Unidos, a América Latina e o mundo (...). Os bons somos mais do que os maus. Parabéns às forças da lei da grande nação mexicana", acrescentou.
A morte de "El Mencho" ocorre em meio à pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, para que o México freie o envio de drogas, especialmente fentanil, para seu país.
Trump ameaçou em várias ocasiões impor tarifas às exportações mexicanas, ao afirmar que o governo da presidente Claudia Sheinbaum não fez o suficiente para combater o narcotráfico.
- Chefão violento -
O estado de Jalisco, que receberá quatro partidas da Copa do Mundo de Futebol de 2026, determinou o cancelamento de eventos de grande porte neste domingo e a suspensão das aulas presenciais na segunda-feira.
Em Guadalajara, capital de Jalisco, diversos estabelecimentos, desde farmácias até lojas de conveniência e postos de gasolina, fecharam as portas e as ruas estão praticamente vazias, constatou a AFP.
"Chegaram alguns homens armados, vi a arma e disseram para sairmos, nós saímos e eles tinham um carro com as portas abertas. Pensei que iam nos sequestrar, corri para a frente, até uma barraca de tacos, e me abriguei com eles", disse à AFP María Medina, que trabalha em uma loja de conveniência que foi incendiada por homens armados.
Os bloqueios pela operação em que Oseguera morreu também se estenderam ao balneário de Puerto Vallarta e ao estado vizinho de Michoacán, onde sua organização tem presença.
O cartel de "El Mencho" foi formado em 2009 e se tornou uma das quadrilhas do narcotráfico mais violentas do México, segundo informações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos classificaram esse cartel como uma organização terrorista e o acusam de tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil.
Oseguera também é um velho conhecido do atual secretário de Segurança Pública federal, Omar García Harfuch.
Em 20 de junho de 2020, "El Mencho" ordenou um inédito ataque armado contra Harfuch nas ruas da Cidade do México. O funcionário ficou ferido e três pessoas morreram, entre elas dois seguranças.
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