Fábrica histórica de pneus na Argentina fecha devido à abertura de importações
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A maior fabricante de pneus da Argentina anunciou, nesta quarta-feira (18), o fechamento definitivo de sua fábrica em Buenos Aires e a demissão de mais de 900 trabalhadores, atribuindo a medida à queda de competitividade em um contexto de aumento das importações.
A decisão ocorre em meio a uma semana de intensos protestos trabalhistas, com uma greve nacional de 24 horas convocada em protesto contra a reforma trabalhista promovida pelo governo neoliberal de Javier Milei, já aprovada pelo Senado e que aguarda ratificação pela Câmara dos Deputados.
O fechamento da fábrica da Fate, fundada há mais de 80 anos e com capacidade para produzir cerca de 5 milhões de pneus por ano, soma-se ao fechamento de mais de 21 mil empresas nos últimos dois anos e à perda de cerca de 300 mil empregos, segundo fontes sindicais.
Pneus em chamas foram vistos queimando do lado de fora da fábrica nesta quarta-feira, na periferia norte da capital argentina. Um grupo de trabalhadores estava nos portões da fábrica, onde a empresa anunciou o fechamento com uma placa, conforme observou a AFP.
A empresa anunciou que pagará as indenizações rescisórias previstas em lei. No entanto, os sindicatos pediram a intervenção do governo para impedir o fechamento.
"Vamos tomar todas as medidas necessárias para reabrir a fábrica; uma solução é possível", disse Alejandro Crespo, secretário-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores de Pneus (Sutna), funcionário da Fate há 20 anos, nos portões da fábrica.
A empresa atribuiu o fechamento a "mudanças nas condições de mercado".
Segundo estimativas da consultoria privada PxQ, entre 2023 e 2025 as importações de pneus aumentaram 34%, enquanto os preços no mercado interno caíram 42%.
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