Internacional

Lucas Pinheiro Braathen, um campeão que brilha no esqui e na moda

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Além de esquiador, ele é uma estrela: antes de conquistar sua histórica medalha de ouro neste sábado (14) nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, o brasileiro Lucas Pinheiro Braathen já estava bastante acostumado às câmeras, tanto da mídia esportiva quanto do mundo da moda. 

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Quase tão presente nas pistas de esqui quanto nas passarelas ou em ensaios fotográficos, seu carisma frequentemente o leva a comparações com o italiano Alberto Tomba, o esquiador nada convencional e com grande presença na mídia que reinou no final dos anos 80 e início dos 90. 

"Quero trazer o rock 'n' roll e modernizar o esqui", insistiu ele em mais de uma ocasião nos últimos anos, como numa declaração de intenções.

- Liberdade estética -

Com 487 mil seguidores no Instagram e contando, seu impacto nas redes sociais é inegável, e sua fama tem crescido constantemente nos últimos anos. 

Durante a Semana de Moda de Paris, ele encontrou o ex-craque brasileiro Ronaldo Fenômeno, e quando Lucas se apresentou como esquiador brasileiro, Ronaldo não conseguiu conter o riso.

Pinheiro Braathen é presença assídua em eventos de moda há anos. 

Numa Fashion Week de Copenhague, desfilou sem camisa, usando um casaco preto e calças rosa. E em outra semana de moda, em Milão, lançou sua própria linha de cuidados para a pele, aventurando-se também no mundo da moda como empreendedor.

Conhecido por suas roupas ousadas e unhas pintadas, ele ocasionalmente se torna alvo de ataques nas redes sociais.

“Já fui criticado pela forma como me visto no meu tempo livre, e isso é intolerância. Já tive que lidar com críticas de que sou feminino demais em um esporte predominantemente masculino, ou com perguntas sobre se sou gay ou trans. Só porque pratico esportes radicais, devo me vestir de uma certa maneira? Isso não faz sentido”, disse ele em entrevista ao jornal francês L’Équipe, que o colocou na capa de sua revista de fim de semana há um ano. 

Marcas de moda têm demonstrado crescente interesse nele, e ele é embaixador de uma das mais luxuosas, a Moncler, que o escolheu para sua campanha antes destes Jogos Olímpicos de Inverno.

Sua imagem foi assim exibida em prédios em diversas partes do mundo, incluindo um banner gigante na Ópera Garnier, em Paris. 

A marca também fechou um acordo para vestir a equipe brasileira nestes Jogos, e Pinheiro foi uma das principais atrações, como de costume, ao desfilar no San Siro vestindo um casaco branco com as cores da bandeira brasileira no verso, tornando-se o porta-bandeira mais original da noite.

- Duas culturas, uma personalidade -

Pinheiro Braathen também é fruto de duas culturas que moldaram seu caráter. 

Nascido há 25 anos em Oslo, seus pais se divorciaram quando ele era muito jovem, e ele passou parte da infância no Brasil. Mais tarde, retornou ao país escandinavo, mas passava longos períodos de férias no Brasil.

Com fluência no português, Lucas sempre exibiu com orgulho sua herança brasileira, mas seus primórdios no esporte foram sob a bandeira norueguesa, representando uma potência nos esportes de inverno. 

Ele representou a Noruega nas Olimpíadas de 2022 em Pequim, onde abandonou tanto no slalom gigante quanto no slalom, mas um ano depois conquistou o Globo de Cristal nesta última modalidade. 

Este foi o prelúdio de seu desentendimento com a federação norueguesa de esqui: um conflito, em grande parte relacionado a direitos de imagem e patrocínios, o que o levou a se aposentar do esqui em 2023, embora tenha retornado em 2024 representando o Brasil, país de sua mãe.

Desde então, este DJ nas horas vagas e showman em tempo integral trouxe cor e calor tropical ao esqui, e em novembro fez história ao vencer o slalom em Levi, na Finlândia, dando ao Brasil sua primeira vitória numa Copa do Mundo. 

Na última prova de downhill em Kitzbühel, o ex-jogador de futebol alemão Bastian Schweinsteiger exibiu com orgulho uma camisa autografada pelo brasileiro. 

Com a medalha de ouro deste sábado, Lucas Pinheiro Braathen faz história para o Brasil e para a América Latina, mas não o tornará uma estrela, porque ele já era uma.

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dr/mcd/aam

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