Reforma trabalhista de Milei aprofunda indignação popular na Argentina
Senado aprova pacote que flexibiliza direitos dos trabalhadores em meio a protestos violentos e repressão policial
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Aprovada na madrugada de quinta-feira (12/2) pelo Senado argentino (42 votos a favor e 30 contra, após mais de 13-14 horas de debate), a reforma trabalhista (Lei de Modernização Trabalhista) do presidente Javier Milei marca uma vitória legislativa chave para o governo este ano. O texto segue para a Câmara dos Deputados, com debates previstos para cerca de 25 de fevereiro e possível sanção até início de março.
A Argentina elegeu o Milei, o Bolsonaro argentino, pra "combater a esquerda". Agora ele acabou com os 30 dias de férias, aumentou a jornada de trabalho pra 12 horas e tirou quase todos os direitos trabalhistas. "Do nada" a população descobriu que não tem como ser trabalhador de… pic.twitter.com/kGnnn5Wsja
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) February 12, 2026
Apoiadores veem "vitória histórica", mas a voz dominante nas mobilizações e postagens de sindicatos/oposição reflete raiva profunda contra jornadas exaustivas, demissões baratas e restrições a greves. Sindicatos como CGT e CTA prometem mais ações se a Câmara não alterar o texto.
A aprovação detonou fúria popular: milhares protestaram em Buenos Aires durante a sessão, com confrontos violentos resultando em feridos (de 15 a centenas, segundo fontes), 37-70 detidos e repressão com gás lacrimogêneo, balas de borracha e spray de pimenta. Milei chamou atos violentos de "terrorismo".
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Principais impactos na vida dos trabalhadores
O projeto flexibiliza regras para atrair investimentos e combater informalidade, mas é acusado de precarizar condições:
Jornada de trabalho: Extensão possível para até 12 horas diárias via banco de horas ampliado.
Horas extras: Substituição frequente por tempo livre, reduzindo pagamento em dinheiro.
Indenizações por demissão: Cálculo reduzido, parcelamento ou fundo alternativo.
Férias e licenças: Fracionamento anual; mudanças em afastamentos médicos.
Direito de greve: Limitações em setores essenciais e enfraquecimento de convenções coletivas.
Outros: Menos litigiosidade e estímulos a contratações formais.
Governo defende modernização; críticos veem erosão de direitos históricos.
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Indignação popular explode nas ruas e redes
Security forces in Argentina fired tear gas, rubber bullets and water cannon at protesters opposing proposed labour reforms.
— Al Jazeera English (@AJEnglish) February 12, 2026
Unions say the bill would curb the right to strike and weaken worker protections. President Javier Milei argues it is key to his free-market agenda. pic.twitter.com/008GsbKezA
Nas redes (especialmente X/Twitter), a revolta é massiva, com termos como "reforma escravista", "ataque aos trabalhadores" e "retrocesso sem precedentes". Aqui vão exemplos reais de postagens que capturam a indignação:
@IslamCanal: "Onda de protestos atinge a Argentina após aprovação de reforma trabalhista, proposta pelo governo Milei, a qual flexibiliza contratos, ameaça o 13º salário, exclui os 30 dias de férias obrigatórias do cálculo demissório e aumentou a jornada de trabalho para até 12 horas." (Inclui vídeo de protestos)
@dcm_noticias: "Na última quarta-feira (11), a cidade de Buenos Aires foi palco de intensos confrontos entre manifestantes e policiais, durante um protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei."
@rtnoticias_br: "Governo Milei denunciará manifestantes em protestos contra reforma trabalhista. Pelo menos 37 pessoas foram detidas durante confrontos com as forças de segurança em frente ao Congresso argentino."
@AguiarSenra: "Manifestantes e policiais entram em confronto durante protesto contra reforma trabalhista na Argentina. Não há dúvida de que o trabalhador brasileiro que apoia Milei e Bozo, age como a barata que apoia o inseticida."
@CTAAutonoma: "Multitudinário rechazo a la reforma “regresiva y antiobrera” de Milei en las calles pampeanas, con la unidad de las dos CTA, la CGT y organizaciones sociales y políticas." (E outras postagens da conta denunciando senadores que votaram a favor como apoio a "reforma patronal" e "escravista")
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