Países da UE apoiam uso de reciclagem química polêmica para garrafas de plástico
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Os países europeus votaram nesta sexta-feira (6) para permitir que a reciclagem química tenha um papel maior na fabricação de garrafas de plástico, ignorando as preocupações com essa tecnologia, de alto consumo energético.
Segundo as normas da União Europeia (UE), as garrafas plásticas descartáveis devem conter ao menos 25% de plástico reciclado, uma proporção que espera aumentar para 30% até 2030.
Representantes dos 27 Estados-membros da UE votaram a favor da inclusão dos plásticos reciclados quimicamente nessas porcentagens. Atualmente, essas cotas podem ser preenchidas somente por plástico reciclado por meio de técnicas mecânicas, que incluem a lavagem, trituração e remoldagem do material.
Grupos ambientalistas reclamam que o processo, que implica aquecer os materiais em altas temperaturas para reciclá-los, consome muita energia, é mais poluente do que as técnicas mecânicas e poderia servir de cortina de fumaça para que as empresas continuem produzindo mais plástico.
A votação "cria um precedente perigoso de 'lavagem verde' em torno do conteúdo reciclado", advertiu o grupo ambientalista Zero Waste Europe.
A votação surgiu na sequência de uma proposta apresentada pela Comissão Europeia com o objetivo de apoiar o investimento no setor da reciclagem de plásticos, que luta contra a concorrência da China e de outras partes da Ásia. Segundo uma fonte da Comissão, houve "uma forte pressão da indústria" pelo apoio à reciclagem química, apesar das dúvidas sobre os seus benefícios.
Cinquenta e sete por cento dos plásticos produzidos no mundo são procedentes da Ásia, sendo 35% da China.
A indústria europeia está sob intensa pressão devido à oferta abundante de plásticos baratos, uma vez que a produção mundial cresce.
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