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Progresso ou prelúdio de ataque? O que se sabe sobre negociação entre Irã e EUA

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Irã e Estados Unidos poderão manter negociações nesta semana, em meio a uma forte tensão entre esses dois inimigos por causa da repressão às manifestações antigovernamentais iranianas e da resistência de Teerã em alcançar um acordo sobre seu programa nuclear.

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou nesta quarta-feira (4) que as conversas acontecerão na sexta-feira em Mascate, capital de Omã.

"As conversas nucleares com os Estados Unidos estão programadas para a sexta-feira por volta das 10h em Mascate", disse Araghchi em uma publicação no X, na qual agradeceu a Omã "por fazer toda a gestão necessária".

O portal americano Axios havia informado que as conversas previstas para sexta-feira estavam "desmoronando" porque Washington se recusava a mudar o local das discussões, inicialmente previstas para Istambul, ou a alterar o formato.

Segundo a mídia iraniana, as "negociações indiretas" em Mascate estarão "limitadas ao tema nuclear e ao levantamento das sanções contra o Irã".

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que muitos outros temas precisam ser incluídos.

"Para que as conversas realmente levem a algo significativo, terão que abranger certas questões, e isso inclui o alcance de seus mísseis balísticos, inclui o patrocínio a organizações terroristas em toda a região, inclui seu programa nuclear e inclui o tratamento dado à sua própria população", detalhou Rubio.

— O que está em jogo? —

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou uma nova operação militar contra o Irã caso as negociações fracassem. Em junho, ele já atacou instalações nucleares iranianas durante a guerra de Israel contra a República Islâmica.

"Neste momento estamos falando com eles, falando com o Irã, e se conseguirmos chegar a um acordo, seria ótimo. E se não conseguirmos, provavelmente coisas ruins aconteceriam", disse Trump na terça-feira.

Os Estados Unidos enviaram à região um grupo de combate liderado pelo porta-aviões "USS Abraham Lincoln".

Caso seja alvo de um ataque, o Irã adverte que retaliaria contra bases e navios americanos na região.

As tensões entre os dois países, que não mantêm relações diplomáticas, aumentaram após a repressão das forças de segurança iranianas a uma onda de protestos que deixou milhares de mortos, segundo grupos de direitos humanos.

Mas ainda não está claro que forma tomaria uma intervenção militar americana. Poderiam ser ataques seletivos contra a infraestrutura militar ou uma tentativa de derrubar o sistema clerical imposto desde a revolução islâmica de 1979, liderada pelo aiatolá Ali Khamenei.

— Os negociadores —

O Irã será representado nas negociações pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e os Estados Unidos pelo enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, informaram a Casa Branca e a presidência iraniana.

— O que cada lado quer? —

No início, Trump concentrou-se em pedir a Teerã que "pare de matar" manifestantes e que não os execute.

Com o passar dos dias, voltou seu foco para o programa nuclear iraniano, que os Estados Unidos e seus aliados acreditam ter como objetivo a fabricação de uma bomba atômica.

Washington também quer reduzir o apoio do Irã a determinados grupos na região e diminuir o arsenal de mísseis balísticos iranianos.

O Irã parece disposto a falar apenas sobre o tema nuclear.

— Onde? —

Tudo indicava que o encontro ocorreria na sexta-feira na Turquia, membro da Otan, apesar de seu presidente, Recep Tayyip Erdogan, um muçulmano sunita, já ter tido problemas no passado com a teocracia xiita de Teerã.

Por fim, tudo indica que será em Omã, disse um diplomata árabe à AFP nesta quarta-feira.

"Os iranianos solicitaram uma reunião em Omã, e os americanos aprovaram o local, mas ainda estão sendo definidos os parâmetros das discussões", declarou o diplomata, que pediu anonimato.

Outra fonte regional a par das negociações indicou que o Irã quer que as conversas sejam "exclusivamente" com os Estados Unidos, sem a participação de potências regionais, e centradas apenas no tema nuclear.

"Se os iranianos quiserem se reunir, estamos prontos", disse Rubio.

— Clima febril no Irã —

Grupos de direitos humanos denunciaram um massacre em massa de manifestantes, sob a proteção de um apagão de internet que durou semanas.

Sinal de que os nervos estão à flor da pele, a prefeitura de Teerã divulgou um comunicado nesta quarta-feira afirmando que os barulhos fortes no centro da cidade se deviam a uma festividade religiosa e não a outra causa.

Em Teerã, foi exibido um novo cartaz mostrando aviões americanos caídos em uma colina e iranianos agitando a bandeira da República Islâmica.

A agência de notícias Fars, considerada próxima às forças de segurança, publicou nos últimos dias imagens de bases americanas no Oriente Médio.

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sjw/dc/amj/erl/an/am

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