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Kast irrita feministas e ativistas de direitos humanos no Chile com seu futuro gabinete

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O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, abriu uma frente de disputa com defensores dos direitos humanos e organizações feministas ao formar um gabinete que inclui dois ex-advogados do ditador Augusto Pinochet e uma ativista antiaborto.

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O líder de extrema direita apresentou na terça-feira (20) os 24 ministros que o acompanharão a partir de 11 de março, entre eles dois ex-advogados do falecido ditador nas pastas da Defesa e da Justiça e Direitos Humanos.

Ele também nomeou para o Ministério da Mulher Judith Marín, uma professora evangélica antiaborto, de 30 anos.

"A nomeação de dois advogados defensores de Pinochet é uma clara orientação do governo eleito de justificar o extermínio e a figura do ditador", disse à AFP a deputada do Partido Comunista Carmen Hertz.

"São negacionistas do extermínio provocado pela ditadura", acrescentou Hertz, cujo marido, o jornalista Carlos Berger, foi fuzilado pela ditadura em 1973.

Alicia Lira, presidente da Agrupação de Familiares de Executados Políticos, criticou especialmente a nomeação para o Ministério da Justiça.

"Parece-nos realmente uma falta de respeito que alguém que fez parte da equipe de defesa do ditador mais sanguinário da América Latina possa assumir esse cargo", afirmou na terça-feira.

Kast é um admirador de Pinochet, que governou entre 1973 e 1990. Seu regime deixou mais de 3 mil vítimas, entre mortos, desaparecidos e torturados.

Ele morreu em 2006, aos 91 anos, sem ter sido condenado.

Kast confiou o Ministério da Defesa a Fernando Barros, de 68 anos, e o da Justiça e Direitos Humanos a Fernando Rabat, de 53.

Ambos atuaram, em processos distintos, na defesa de Pinochet. O primeiro, quando ele foi detido em Londres, em 1998, a pedido da Justiça espanhola, que buscava extraditá-lo e julgá-lo por crimes contra a humanidade.

Já Rabat o representou em 2004 em um caso de suposta malversação de fundos públicos, que foi arquivado após sua morte. A investigação foi aberta depois que se descobriram cerca de uma centena de contas ocultas do ex-ditador em bancos estrangeiros.

"Nosso gabinete (...) não obedece a imposições, nem tampouco a pressões", disse nesta quarta-feira o presidente eleito em um fórum na Universidade Católica, em Santiago.

Kast apoiou no passado um possível indulto a cerca de 140 agentes do Estado presos por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura, incluindo o ex-brigadeiro do Exército Miguel Krassnoff, condenado a mais de mil anos de prisão, entre outros delitos, pela tortura de mulheres grávidas.

O futuro governante visitou repressores na prisão durante sua campanha de 2017, embora na última campanha eleitoral não tenha respondido às perguntas sobre se irá indultá-los ou não.

O presidente eleito, de 60 anos e líder do Partido Republicano, venceu a Presidência em um segundo turno em 15 de dezembro, com ampla vantagem sobre a esquerdista Jeannette Jara.

Ele será o primeiro presidente de extrema direita eleito por voto popular. Em campanha, prometeu um governo implacável contra a criminalidade e a imigração irregular.

– "Fundamentalistas religiosos" –

Kast também irritou as organizações feministas com sua futura chefe do Ministério da Mulher, que inclusive já criticou a própria existência da pasta que irá dirigir.

Em 2017, ela interrompeu uma sessão do Senado em que se discutia uma lei sobre aborto, segurando um cartaz que dizia: "Voltem-se a Cristo".

"Estamos diante de uma ministra que desconhece a gestão do ministério e questiona sua necessidade em um contexto de escalada de violência e insegurança contra as mulheres", disse à AFP Fernanda Carvallo, porta-voz do movimento feminista 8M.

"A vida das meninas, das mulheres e das dissidências não pode estar nas mãos de fundamentalistas religiosos", acrescentou.

Após sua nomeação, Marín afirmou na rede social X: "Trabalharemos por todas as mulheres do Chile, incluindo todas as conquistas e avanços que tivemos".

A deputada de esquerda Emilia Schneider também questionou a escolha de Marín e disse que se trata de "um sinal muito ruim".

Kast criticou no passado o Ministério da Mulher e a lei que estabeleceu o aborto em três circunstâncias: estupro, risco de vida para a mãe e inviabilidade do feto.

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pa/vel/mr/am

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