O que se sabe sobre a catástrofe ferroviária na Espanha
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As causas da colisão entre dois trens de alta velocidade em Adamuz, na região espanhola da Andaluzia, que deixou no domingo ao menos 43 mortos, continuam sendo um mistério. A seguir, o que se sabe sobre a tragédia.
– Número de vítimas –
O balanço da catástrofe continua sendo provisório. Máquinas pesadas seguem trabalhando no local para extrair outras possíveis vítimas fatais. Até agora foram encontradas 43, a última na manhã desta quarta-feira (21). Destas, 41 estão identificadas graças a exames de DNA. Como foram registradas 45 denúncias de desaparecimento, ainda podem faltar dois corpos a serem localizados.
– O que aconteceu? –
No domingo, às 19h45 do horário local, os três últimos vagões de um trem com destino a Madri da operadora privada Iryo descarrilaram, invadindo a via contígua, por onde vinha um trem da Renfe, a companhia nacional espanhola.
Os dois trens de alta velocidade, que circulavam a mais de 200 km/h, transportavam ao todo mais de 500 passageiros.
– A investigação –
Vários elementos foram esboçados como possíveis causas do acidente.
Um deles seria uma ruptura em um trecho da via férrea, mas não se sabe se a ausência desse pedaço foi "causa ou consequência" do descarrilamento do trem da Iryo que provocou a colisão, segundo indicou o ministro dos Transportes, Óscar Puente.
Nesta quarta-feira, Puente confirmou que as rodas dos cinco primeiros carros do Iryo apresentavam marcas do tamanho de uma moeda grande, que poderiam ter sido causadas pela passagem sobre essa fissura.
"Dois ou três" comboios que passaram logo antes do Iryo tinham marcas semelhantes, mas outros trens que passaram uma hora antes não apresentavam, acrescentou o ministro.
Outro elemento que chamou a atenção é um "bogie", ou eixo, encontrado em um riacho ao pé da via férrea e que poderia ter se desprendido do Iryo, conforme parecem mostrar algumas fotos nas quais o trem aparece tombado de lado.
O ministro dos Transportes e a Guarda Civil afirmaram que o eixo foi localizado na segunda-feira e faz parte "das centenas de evidências que estão sendo recolhidas no local".
Todas as hipóteses estão sobre a mesa, assegurou na terça-feira o ministro do Interior, embora de início tenha descartado a ideia de uma sabotagem.
– As ligações ao posto de controle –
O jornal El País publicou gravações arrepiantes das conversas telefônicas entre o posto de controle da estação de Atocha, em Madri, e os trens.
"Tenho sangue na cabeça", diz, visivelmente atordoada, uma inspetora do trem da Renfe, o mais violentamente atingido e onde foi recuperada a maioria dos corpos.
"Não sei se vou conseguir chegar até o maquinista", diz ela, enquanto do outro lado da linha o técnico de Atocha pergunta em que estado está o trem.
O maquinista do trem faleceu.
Outra gravação é sobre a comunicação do maquinista do trem da Iryo. "Olá, Atocha, olha, acabei de sofrer um tranco na altura de Adamuz", diz em sua primeira ligação.
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bur-mig/CHZ/du/rs/mb/am