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Morte de bebê de escritora Chimamanda Adichie lança holofotes sobre sistema de saúde da Nigéria

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A recente morte do filho de um ano e nove meses da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, por uma suposta negligência, colocou em xeque o sistema de saúde do país mais populoso do continente africano.

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Nkanu Nnamdi, um de seus gêmeos, faleceu em 7 de janeiro após "uma breve doença" no Euracare Multispecialist Hospital, em Lagos. 

Ele havia sido levado ao local para exames diagnósticos, incluindo uma ressonância magnética, com a previsão de viajar posteriormente aos Estados Unidos para receber cuidados especializados, informou a família. 

Segundo um parente, Adichie e seu marido, o médico Ivara Esege, tentaram ter filhos durante oito anos. 

A família da escritora nigeriana e ícone do feminismo acusou o hospital de "negligência médica grave". 

A cunhada de Adichie, a médica e professora Anthea Esege Nwandu, disse que foi informada que a criança recebeu uma superdose de propofol para ser sedada e submetida a exames de ressonância magnética. 

Ela acusa o anestesista de ter sido "criminalmente negligente" e de não ter seguido o protocolo médico adequado.

O bebê sofreu uma parada cardíaca quando o anestesista o levava no ombro, desconectado do ventilador, explicou a cunhada da escritora à emissora de televisão local TVC. Acrescentou, ainda, que o diretor médico do hospital lhe disse que "parece ter sido uma overdose de propofol".

"Isto é um chamado de atenção (...) para que nós, a opinião pública (...) exijamos responsabilidade, transparência e consequências pela negligência em nosso sistema de saúde", insistiu Nwandu.

- Notificação judicial -

Adichie mora nos Estados Unidos, mas estava na Nigéria para as festas de fim de ano.

Em uma mensagem de texto à AFP, a porta-voz da família, Omawumi Ogbe, afirma que foi "emitida uma notificação judicial" ao hospital, sem fornecer mais detalhes.

O governo do estado de Lagos também ordenou uma investigação sobre o ocorrido.

A Euracare não respondeu às perguntas da AFP. 

O padrão de atendimento médico na Nigéria é alvo de críticas. No mês passado, o sistema de saúde voltou às manchetes do país quando o ex-campeão mundial de boxe dos pesos-pesados Anthony Joshua, um britânico de ascendência nigeriana, saiu de um carro com dores, auxiliado por pedestres e sem ambulância. 

Nesta semana, o estado de Kano (norte) anunciou ter ordenado uma investigação sobre a morte de uma mulher quatro meses depois que médicos deixarem uma tesoura em seu estômago após uma cirurgia. 

Apesar das queixas reiteradas de dores abdominais durante várias visitas ao hospital, os médicos apenas lhe administraram analgésicos. A tesoura só foi vista dois dias antes de seu falecimento. 

Casos de negligência e mau atendimento são recorrentes no país, afetado por um êxodo de médicos e enfermeiros qualificados que deixam a Nigéria em busca de melhores salários. 

Entre 15.000 e 16.000 médicos nigerianos emigraram entre 2020 e 2024, segundo o ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate. 

A Nigéria tem apenas 55.000 médicos para uma população de 220 milhões de pessoas, informou este ministério em 2024.

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bur-sn/jj/erl/sag/yr/aa

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