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Incêndios na Patagônia argentina reavivam narrativas antissemitas

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Mensagens virais publicadas nas redes sociais atribuem os incêndios florestais na Patagônia argentina a supostos planos israelenses de povoar a região, o que reaviva teorias da conspiração centenárias e motivou nesta semana denúncias de antissemitismo por parte de organizações judaicas.

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"Quero os judeus fora do meu país" e "Os israelenses andam queimando a Patagônia" são algumas das mensagens que circulam em espanhol e, com adaptações, em outros cinco idiomas.

Autoridades argentinas confirmaram a ação humana na origem dos incêndios que queimaram mais de 15 mil hectares, mas não apontaram responsáveis.

Nas redes sociais, multiplicam-se mensagens que atribuem o fogo a interesses estrangeiros, sobretudo israelenses, e o vinculam a um debate sobre mudanças nas leis que regulam a propriedade de terras rurais por não residentes e o uso de áreas afetadas pelos incêndios.

Uma foto em circulação mostra uma granada que, segudo usuários, seria de origem israelense e teria sido usada para provocar o fogo. Autoridades da província de Chubut, no entanto, confirmaram a descoberta do explosivo em dezembro, mas informaram que ele foi produzido pela empresa argentina Fabricaciones Militares.

A Organização Sionista Argentina negou nesta semana que os incêndios tenham sido provocados por israelenses "como parte de algum tipo de conspiração". Também ressaltou a gravidade do "ressurgimento do chamado 'Plano Andinia', uma calúnia antissemita sem qualquer fundamento histórico ou político".

A teoria da conspiração segundo a qual Israel quer tomar a Patagônia e estabelecer no local um Estado judeu circula desde a década de 1960, e ganhou força na década seguinte. A consolidação dessa narrativa foi o ponto de partida da série da Amazon "Iosi, o Espião Arrependido" (2022), baseada em fatos reais.

A teoria tem antecedentes no documento antissemita do fim do século XIX "Os Protocolos dos Sábios de Sião", que acusa os judeus de conspirar para dominar o mundo, explicou à AFP o historiador Ernesto Bohoslavsky, do instituto de pesquisas Conicet.

O especialista ressaltou que esse tipo de narrativa, "que parece explicar processos complexos de forma muito simples", é tentadora, especialmente em redes sociais. "Sempre se atualiza o relato. Em 2001-2002, por exemplo, havia a versão de que a Argentina venderia parte da Patagônia para pagar a dívida externa", acrescentou.

O presidente da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia), Mauro Berenstein, alertou no X que acusar sem provas "reforça uma narrativa antissemita e o ódio".

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nan-sb-ab/lm/dga/lb/am

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