Esperança entre familiares de opositores presos na Venezuela após anúncio de libertação
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Familiares dos centenas de presos por motivos políticos na Venezuela começaram a chegar aos centros de detenção com a esperança de que estejam entre os libertados anunciados pelo governo nesta quinta-feira (8).
Um primeiro grupo chegou à conhecida prisão de El Helicoide, na sede dos serviços de inteligência em Caracas.
Ali esteve detida, por exemplo, a ativista Rocío San Miguel, que figura entre os libertados.
Atalí Cabrejo espera notícias de seu filho Juan José Freites, dirigente do partido Vente, da líder opositora María Corina Machado.
Ele foi detido em 23 de janeiro de 2024 e acusado de “terrorismo”. Cabrejo o viu pela última vez em 31 de dezembro, dias antes de os Estados Unidos bombardearem a Venezuela e capturarem o então presidente Nicolás Maduro.
O chefe do Parlamento, Jorge Rodríguez, anunciou as libertações sem indicar números. A medida foi celebrada por ativistas e pela Casa Branca, que insistiu que eram um "exemplo" da "influência" do presidente americano, Donald Trump, sobre o governo interino de Delcy Rodríguez.
"Não me ligaram, vi as notícias e vim para cá", disse Cabrejo à AFP. "Tenho sentido medo, muito terror, muito nervosismo pela vida deles (...). Estou nervosa. Deus queira que isso seja realidade."
A polícia a impede de chegar até a porta de acesso para pedir informações.
A mesma expectativa rodeia a prisão de Rodeo I, perto da capital, onde se encontram estrangeiros detidos, segundo ONGs. "É a primeira vez em 21 meses que temos esperança de que os nossos vão sair", afirmou na entrada uma mulher, que pediu anonimato por medo de prejudicar seu familiar.
Cerca de 40 familiares se aglomeram nas entradas, enquanto os guardas dizem não ter informações.
A ONG especializada Foro Penal contabiliza 806 presos por razões políticas, entre eles os detidos nos dias que se seguiram aos protestos contra a questionada eleição de Maduro em 2024.
Foram mais de 2 mil em apenas 48 horas. Muitos acabaram na prisão de Tocorón, que serviu de centro de operações da temida quadrilha Tren de Aragua até ser retomada pelas autoridades.
Yuraima Almeida, de 59 anos, foi para saber de seu filho Jerry Alexander, preso há um ano. "Não aguentava a angústia", declarou. "É uma mistura de alegria e nervosismo."
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