Empresas emergentes estreiam na bolsa em teste decisivo para a IA chinesa
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A ação da empresa emergente chinesa de inteligência artificial Zhipu AI disparou em sua estreia na bolsa nesta quinta-feira (8) em Hong Kong, um dia antes de sua rival MiniMax estrear, em um teste decisivo para esse setor em rápida expansão no país.
As ações da Zhipu AI, criadora da ferramenta Z.ai, fecharam com alta de mais de 12% em seu primeiro dia de negociação, depois que sua oferta pública inicial (OPI) arrecadou 4,35 bilhões de dólares de Hong Kong (cerca de 3 bilhões de reais).
Os lançamentos desta semana na China antecedem qualquer possível anúncio de abertura de capital das americanas OpenAI, criadora do ChatGPT, ou da Anthropic, conhecida pelo chatbot Claude.
Mas analistas consideram pouco provável que uma ou outra gere lucros rapidamente.
"Para a Zhipu, é uma honra estar nesta conjuntura histórica como representante desse setor modelo da China", afirmou o presidente da empresa, Liu Debing, nesta quinta-feira durante a cerimônia de lançamento.
A Zhipu AI foi fundada em 2019 e é fornecedora de serviços de grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) para clientes empresariais e governamentais na China, a segunda maior economia do mundo.
Os recursos arrecadados na OPI serão destinados ao desenvolvimento de grandes modelos de IA, incluindo algoritmos e infraestrutura de sistemas, informou a empresa.
A MiniMax, criada em 2022, mira no mercado consumidor, especialmente fora da China, com ferramentas de IA generativa para voz, música e vídeo, além de texto.
"Quando o mercado amadurecer por meio de uma concorrência plena, mais pessoas entenderão as capacidades, o desempenho e os preços desses modelos, alcançando um estado de equilíbrio", disse Liu à Bloomberg Television nesta quinta-feira.
O analista de tecnologia chinês Poe Zhao, fundador da newsletter Hello China Tech, afirmou à AFP que as duas aberturas de capital "demonstram o potencial de receita e os desafios fundamentais que essa nova geração de empresas de LLM enfrenta".
"A alta demanda reflete claramente um otimismo mais amplo em relação à IA chinesa", acrescentou.
O avanço da IA ajudou a impulsionar as ações de tecnologia a níveis recordes nos últimos meses, mas esses papéis também são voláteis, já que investidores globais acompanham atentamente qualquer sinal de bolha.
"Acho que há uma bolha? Sim. Mas quero distinguir entre 'bolha' e 'risco de bolha'", disse Zhao, acrescentando que essas empresas precisam de capital.
O mercado de LLM na China pode crescer para 101,1 bilhões de yuans (14,5 bilhões de dólares, cerca de 78,1 bilhões de reais na cotação atual) até 2030, segundo a consultoria Frost & Sullivan.
Em janeiro de 2025, a chinesa DeepSeek sacudiu o setor tecnológico mundial com um modelo de raciocínio de baixo custo e alto desempenho que abalou a hegemonia americana nesse segmento.
- Lista de restrição -
Há um ano, os Estados Unidos incluíram a Zhipu, apoiada pelo conglomerado Tencent, em sua lista de restrição de controle de exportações, por temores de que represente um risco à segurança nacional.
A Disney e outras empresas de entretenimento americanas, como a Universal, processaram a MiniMax por violação de direitos autorais.
Zhao descarta que a Zhipu ou a MiniMax sejam lucrativas "no curto prazo".
"Isso depende de duas mudanças em toda a indústria: custos de computação consideravelmente mais baixos e uma demanda muito maior por IA", explicou.
Fontes apontam que China incentiva empresas de tecnologia a usar microchips de fabricação nacional devido às restrições intermitentes de Washington sobre chips avançados da Nvidia.
A confiança dos investidores no potencial da indústria chinesa de chips para desafiar a gigante americana Nvidia fez com que, no mês passado, as ações das empresas de semicondutores Moore Threads e MetaX disparassem em suas estreias no mercado.
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