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Restos encontrados em área militar no Uruguai são de um homem

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Os restos ósseos encontrados em 30 de julho em uma área militar no Uruguai, onde já foram descobertos os de três pessoas desaparecidas durante a última ditadura (1973-1985), pertencem a um homem de estatura média-alta e de idade mediana, informaram nesta quarta-feira (14) a autoridade responsável pela busca e a Procuradoria.

"Trata-se de um indivíduo masculino cuja estatura estava entre 1,75 e 1,85 metro, com uma faixa etária que vai dos 43 aos 57 anos", disse Alicia Luisardo, da Instituição Nacional de Direitos Humanos (Inddhh).

No dia 20 de agosto, serão coletadas amostras genéticas que serão analisadas na Argentina, onde serão comparadas com o DNA de familiares de desaparecidos durante as ditaduras do século passado na região.

Ricardo Perciballe, promotor especializado em crimes contra a humanidade, indicou que se espera conhecer a identidade dessa pessoa dentro de "um pouco mais de um mês".

Segundo explicou Luisardo, a pessoa foi enterrada de bruços em uma cova de 2,15 metros de comprimento, 0,5 metros de largura e um metro de profundidade. O esqueleto foi recuperado "muito completo" e "muito bem preservado".

"Para poder confeccionar uma estrutura dessas características, são necessárias mais de sete carrinhos de mão de 70 litros de material", disse Luisardo sobre a magnitude desse enterro clandestino.

Essa cova foi descoberta a poucos metros de onde, no ano passado, foram encontrados os restos de Amelia Sanjurjo, uma militante comunista desaparecida em Montevidéu em 1977. Muito perto dali, foram encontrados em 2012 os restos do também militante comunista Ricardo Blanco, desaparecido em 1978, e em 2011, os do professor e jornalista Julio Castro, desaparecido em 1977.

As evidências mostram que o Batalhão de Infantaria Paraquedista Nº 14, localizado em Toledo, cerca de 25 km ao norte de Montevidéu, "foi um lugar de enterro" de detidos desaparecidos, disse Perciballe.

De acordo com dados oficiais, pelo menos 197 pessoas desapareceram devido a ações do Estado uruguaio entre 1968 e 1985, período que abrange a aplicação de medidas de exceção pela violência política e social e a posterior ditadura. A maioria foi detida na Argentina no âmbito da colaboração entre os regimes de fato.

Os restos de cerca de trinta pessoas já foram encontrados, sete deles no Uruguai: Roberto Gomensoro (aparecido em 1973, mas identificado em 2002), Ubagésner Chaves e Fernando Miranda (encontrados em 2005), Julio Castro (2011), Ricardo Blanco (2012), Eduardo Bleier (2019) e Amelia Sanjurjo (2023).

ad/db/dga/am

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