O governo britânico anunciou nesta terça-feira (30) que espera expulsar para Ruanda "até o final do ano" um grupo identificado de 5.700 demandantes de asilo, após a aprovação de uma lei polêmica que pretende impedir as chegadas de migrantes sem documentos pelo Canal da Mancha.

Segundo o texto, aprovado pelo Parlamento na terça-feira da semana passada, o governo do primeiro-ministro conservador Rishi Sunak pretende iniciar as expulsões antes de julho.

Segundo um documento publicado na segunda-feira pelo Ministério do Interior, Ruanda "aceitou a princípio" receber 5.700 demandantes de asilo.

Estas pessoas estão entre os mais de 57.000 migrantes que chegaram de maneira ilegal ao Reino Unido através do Canal da Mancha, entre janeiro de 2022 e junho de 2023, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais.

"Esperamos expulsar (este grupo) até o fim do ano", confirmou nesta terça-feira ao canal Sky News a ministra da Saúde, Victoria Atkins.

O Ministério do Interior afirmou que dos 5.700 demandantes de asilo em questão, 2.143 "podem ser localizados para detenção" em antecipação à expulsão.

A ministra da Saúde destacou que o governo está fazendo o possível para localizar os outros. "Queremos que a mensagem seja muito clara (...) Vamos encontrá-los e serão expulsos", afirmou.

A Irlanda afirmou recentemente que já começou a registrar um fluxo considerável de migrantes procedentes do Reino Unido, devido à política migratória do país vizinho.

No âmbito de um novo tratado entre Londres e Kigali, a nova lei pretende expulsar os migrantes que chegaram ao país de forma ilegal, independente da procedência, para Ruanda, que ficará responsável por examinar o pedido de asilo. Estas pessoas não poderão retornar ao Reino Unido seja qual for a decisão final.

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