Os pais de um adolescente autor de um ataque fatal a tiros em uma escola no estado americano do Michigan foram condenados a entre 10 e 15 anos de prisão nesta terça-feira (9), em um caso sem precedentes e de grande repercussão.

Jennifer e James Crumbley - que compraram uma arma para o garoto como presente de Natal antecipado - foram os primeiros pais de um atirador deste tipo a serem condenados por homicídio culposo nos Estados Unidos pelas ações de seu filho.

A juíza do Tribunal do Condado de Oakland, Cheryl Matthews, os sentenciou a entre 10 e 15 anos de prisão cada um, contando os 28 meses que já passaram atrás das grades.

Seu filho Ethan, agora com 17 anos, está cumprindo pena de prisão perpétua pelo ataque de 30 de novembro de 2021, que deixou quatro alunos mortos e outras sete pessoas feridas na Oxford High School, a 70 quilômetros de Detroit.

"Essas condenações não se trata de má paternidade", disse Matthews em uma audiência em Pontiac, Michigan, que contou com a presença de parentes das vítimas. "Essas condenações confirmam atos repetidos, ou falta de atos, que poderiam ter interrompido um trem desgovernado."

Dirigindo-se aos Crumbleys, Nicole Beausoleil, mãe de Madisyn Baldwin, 17, uma das alunas mortas, declarou: "Não apenas seu filho matou minha filha, mas vocês dois também mataram."

Steve St. Juliana, pai de outra vítima, Hana St. Juliana, 14, disse que o assassinato da jovem "destruiu uma grande parte” de sua "alma".

Antes de a juíza proferir a sentença, o casal falou às famílias das vítimas e ao tribunal e pediu desculpas.

Durante julgamentos separados, os dois foram acusados de ignorar avisos de que seu filho tinha problemas de saúde mental.

Jennifer Crumbley afirmou que seu marido comprou para o filho a arma de fogo apenas alguns dias antes e ela levou o menino a um estande de tiro no dia seguinte.

Os Crumbleys foram chamados na escola no dia do ataque, antes da tragédia, depois que uma professora ficou alarmada com um desenho violento que encontrou na mesa de Ethan.

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