Meio ambiente

BH anuncia ações para enfrentar ameaças climáticas

Entre ondas de calor, chuvas intensas, inundações e períodos de estiagem, capital aposta no planejamento, infraestrutura verde, mobilidade de baixa emissão e espaços urbanos sustentáveis para se adaptar a uma realidade cada vez mais extrema e ameaçadora

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Durante muito tempo, falar em mudanças climáticas severas parecia algo muito distante, como se fosse uma espécie de ficção científica distópica, no estilo “Mad Max”. Porém, na realidade do dia a dia, essa distância ficou menor devido às condições extremas que ocorrem a toda hora no mundo inteiro. Em Belo Horizonte, ondas de calor, chuvas intensas, alagamentos e períodos de estiagem já impõem desafios ao planejamento urbano e à rotina da população.

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De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a concentração de gases de efeito estufa atinge níveis recordes e a temperatura média do planeta já está cerca de 1,1 grau Celsius acima do período pré-industrial. A ONU relaciona o aquecimento à intensificação de secas, chuvas e inundações extremas, incêndios e escassez de água.


Em BH, a resposta do poder público municipal aos paradigmas atuais tem combinado múltiplas ações, interdisciplinares, que incluem redução de emissões de gases de efeito estufa e adaptação do território a temperaturas mais elevadas, chuvas intensas e alterações na disponibilidade de água.


Este ano, para enfrentar o período chuvoso 2026/2027, que vai de outubro a março, a Prefeitura de Belo Horizonte se preparou em diversas frentes, baseada em um modelo que combina governança integrada, zeladoria intensiva e mobilização contínua. Nesse sentido, o Grupo Gestor de Riscos, Desastres e Eventos Climáticos Extremos (GGRDECE) iniciou as atividades na primeira segunda-feira de outubro com a apresentação das ações já realizadas, fortalecendo a articulação entre os órgãos municipais envolvidos na prevenção e no enfrentamento de situações de risco.


Monitoramento em tempo real

A estratégia combina obras de infraestrutura, manutenção e limpeza, monitoramento 24 horas, atuação integrada dos órgãos públicos, resposta emergencial e conscientização da população. O objetivo é reduzir riscos, proteger vidas e patrimônio e garantir maior capacidade de resposta da cidade diante de eventos climáticos extremos. A integração também busca agilizar o compartilhamento de informações e a atuação coordenada das equipes diante de eventos que possam colocar a população em perigo. O monitoramento é realizado no Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), onde são debatidas ações e analisados os efeitos dos eventos climáticos.


Nas instalações do COP-BH, representantes de 20 órgãos públicos acompanham, por meio de mais de 4,5 mil câmeras, o que acontece na cidade em tempo real, incluindo o acompanhamento do nível dos córregos, bem como a identificação de quedas de árvores, alagamentos e outras ocorrências.


O subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Elcione Menezes Alves, afirmou que cada um, na sua pasta, faz a sua parte para tornar a cidade mais resiliente. “Daqui para frente, é plantão 24 horas por dia, todos os dias da semana. É o famoso 24/7”, assegurou o subsecretário, para quem não existe Defesa Civil sem a ação da população. “A sociedade tem que se envolver. Se a gente manda um alerta e não seguem as recomendações, provavelmente vai acontecer algum desastre”.


Além de medidas específicas para o período chuvoso, há uma planificação permanente que envolve praticamente todas as secretarias – especialmente as de Meio Ambiente e Política Urbana –, além de outros órgãos municipais em prol de ações afirmativas que compõem o “Projeto Transformador Cidade Jardim”. Essa linha-mestra administrativa é uma resposta à necessidade de formatar uma política robusta de adequação, mitigação e gestão de riscos climáticos.


O projeto integra urbanismo, infraestrutura verde, mobilidade limpa, gestão de resíduos, governança climática e preparação para desastres, promovendo uma cidade mais segura, saudável e preparada para as dificuldades atuais e futuras.

Cidade Viva

Um importante marco da estruturação municipal foi o lançamento, em 7 de julho deste ano, do Programa “BH Cidade Viva – A Natureza Protegendo o Nosso Futuro”, reunindo modelo de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) para reduzir alagamentos, amenizar ondas de calor e recuperar áreas verdes. A primeira região escolhida para receber as benfeitorias do programa foi Venda Nova, onde as ações previstas devem beneficiar mais de 60 mil moradores.


Entre as principais intervenções está a criação de um parque ciliar agroflorestal no Córrego do Capão, que aliará a recuperação ambiental à geração de renda comunitária por meio da agricultura urbana. O plano prevê, ainda, a expansão de trechos de rotas verdes em parceria com o programa Desconcreta, aumentando a arborização e promovendo a mobilidade a pé entre residências, escolas e equipamentos públicos.


Segundo o secretário de Política Urbana, Leonardo Castro, “a proposta integra preservação, segurança alimentar e desenvolvimento local para tornar a cidade mais resiliente”.


Jardins de Chuva

Uma das iniciativas ambientais sustentáveis de maior sucesso que vem sendo implantada na capital mineira é o Jardim de Chuva, que, diferentemente de um espaço convencional, possui um solo artificialmente modificado com acréscimo de camada mais porosa de brita, o que aumenta a área interna para armazenamento de água pluvial.


Quando implantados em grande número em um determinado bairro, essas estruturas podem reduzir significativamente o volume de água que escoa para as galerias de drenagem pluvial e para os córregos, contribuindo para a diminuição das inundações na cidade e prevenindo tragédias.


Atualmente, Belo Horizonte conta com 69 jardins dessa natureza. Do total, 63 estão localizados na região Norte de BH, como complemento às obras de mitigação de enchentes nos córregos do Nado e do Vilarinho. Há, ainda, três “jardins” instalados no bairro Boa Vista, dois no Hipercentro e um na Regional Barreiro.


Em 2024, a prefeitura lançou o programa “Adote um Jardim de Chuva”, que oferece desconto de 10% no IPTU, limitado a R$ 2 mil, para quem assumir a manutenção. Cada jardim pode ser adotado por um imóvel localizado no mesmo trecho do logradouro público, identificado pelo índice cadastral no termo de adesão. A adoção deve ser formalizada no Portal de Serviços da PBH.


Refúgios Climáticos

A adaptação ambiental também passa por uma questão mais imediata: como tornar suportável o deslocamento pelas ruas durante períodos de calor intenso. Para isso, Belo Horizonte criou os Refúgios Climáticos, espaços destinados a amenizar os efeitos das altas temperaturas em locais de grande circulação.


As estruturas contam com arborização, bancos, pontos de água potável e equipamentos de aspersão que produzem névoa para refrescar a pele e umidificar o ar. As primeiras unidades fixas foram instaladas na Região Central, mais precisamente na Rua dos Carijós, entre as avenidas Curitiba e Paraná, e na Avenida Olegário Maciel, nas proximidades do Mercado Novo. Também foram instaladas unidades móveis no bairro São Paulo, na Região Nordeste.


“Os Refúgios Climáticos e os Jardins de Chuva são iniciativas de suma importância no enfrentamento da crise climática”, destaca o secretário de Meio Ambiente, João Paulo Menna Barreto. “Esses programas e equipamentos são amparados em Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e representam o empenho da gestão Álvaro Damião em conjugar embasamento científico e sustentabilidade para os desafios ambientais e mais qualidade de vida à população”.


Mobilidade com menos emissão

Adaptar Belo Horizonte é apenas uma parte da equação para enfrentar a crise climática. A outra é reduzir as emissões que alimentam o aquecimento global. A ONU afirma que o transporte responde por quase um quarto das emissões globais de dióxido de carbono relacionadas à energia, com os veículos rodoviários representando a maior parcela.


Na capital mineira, a estratégia inclui a substituição gradual de ônibus convencionais por outros de menor emissão. Para isso, em 22 de setembro último, a prefeitura oficializou a contratação de 96 unidades 100% elétricos com recursos do PAC Seleções e linhas federais de financiamento.


A meta é chegar a 40% da frota do transporte público movida a energia limpa até 2030. Os ônibus elétricos eliminam emissões pelo escapamento e reduzem o ruído da circulação. Com investimento de R$ 307,6 milhões, a iniciativa inclui, ainda, a aquisição de 27 instrumentos de recarga.

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Adotando o modelo BRT Misto, os novos veículos têm capacidade para transportar 71 passageiros e contam com ar-condicionado e recursos de acessibilidade. Cada um terá autonomia superior a 250 quilômetros. A expectativa é que a substituição de ônibus movidos a diesel contribua para reduzir em aproximadamente 11,8 mil toneladas por ano as emissões de dióxido de carbono na capital. 

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