Um homem de 72 anos morreu neste domingo (20/9) após passar cerca de dois meses em coma no hospital João XXIII. Ele foi agredido ao ser acusado de importunação sexual em um ônibus do sistema Move. A família denuncia negligência da BHTrans, da prefeitura e da Polícia Civil, já que o inquérito sobre a suposta importunação não foi concluído e os agressores estão livres.

“Mesmo que fosse culpado, apesar de não ser, que o levassem preso e dessem a ele a chance de se defender. Ele estaria aqui para contar a versão dele. A prefeitura, a Polícia Civil, todo mundo vai pagar pela morte do meu irmão”, afirma a técnica em enfermagem Sandra Helena Marques, de 55 anos, irmã da vítima.

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José Carlos Marques estava em um ônibus da linha 61 na manhã de 17 de julho, indo de sua casa, em Venda Nova, para o trabalho no centro de Belo Horizonte. Segundo o advogado da família, Gilmar Francisco, ele levava a mochila na frente do corpo no veículo lotado quando foi acusado de importunação por outra mulher, que teria testemunhado a cena, e não pela suposta vítima.

Após a acusação, três jovens começaram a agredi-lo. Em uma estação do Move na região central, eles o empurraram para fora do ônibus e continuaram a chutá-lo. Câmeras de segurança da estação registraram o momento da agressão, mostrando Marques caído enquanto os homens, com os rostos visíveis, prosseguiam com os chutes.

Os agressores conseguiram escapar da Guarda Civil. Apenas Marques foi conduzido pelos oficiais, primeiro para a UPA Centro-Sul. No local, um médico teria afirmado que ele não tinha ferimentos aparentes, liberando-o com medicamentos anti-inflamatórios e para dor.

Da UPA, Marques foi levado à delegacia para aguardar uma audiência de custódia. À noite, quando policiais foram à cela para conduzi-lo ao presídio, o encontraram desacordado. Ele foi então levado ao hospital João XXIII, onde permaneceu em coma até falecer.

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A irmã de Marques, Sandra, critica o atendimento inicial e afirma que ele deveria ter sido encaminhado diretamente para o João XXIII. Ela acusa a equipe da UPA de negligência e também responsabiliza o motorista do Move por não ter parado o veículo antes das agressões.

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