OS PARTICULARES JARDINS SUSPENSOS DE BH
No alto dos prédios ou dos morros, moradores da capital mineira trazem para dentro de suas casas um pedaço do ‘meio ambiente’
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Bem nas alturas, há flores, frutos, árvores, folhagens. No terraço do edifício, na varanda do apartamento ou num cantinho do quintal, em ponto mais elevado da cidade, se encontra espaço também para hortaliças, canteiros de plantas aromáticas, ervas medicinais e muito amor pelo reino vegetal. A poucos dias da entrada da primavera – a nova estação começa oficialmente na terça-feira (22), às 21h05 (horário de Brasília) –, moradores de Belo Horizonte abrem a casa e o coração para mostrar um particular “jardim suspenso”, que não tem a grandiosidade dos míticos da Babilônia, mas retrata, milênios depois, a beleza, o zelo e a consistente relação entre humanos da metrópole e natureza.
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“Muitas vezes, tenho a impressão de flutuar, ainda mais porque as plantas atraem passarinhos... fico como se fosse um drone. É lugar para reflexão, receber amigos, enfim, contemplação, tudo muito zen”, conta o galerista Murilo Castro, residente num prédio do Bairro Santa Lúcia, na Região Centro-Sul de BH, capital conhecida, em décadas, como Cidade Jardim. No terraço com área de 168 metros quadrados exclusivos para as plantas, Murilo dispõe de limão siciliano, jabuticabeira, temperos. “A cor predominante aqui é o verde”, observa.
Também na Centro-Sul, a empresária Rose Mary Chiari dá boas-vindas à primavera na varanda do seu apartamento, no Bairro Gutierrez, onde gosta de tomar o café da manhã. Além do cultivo de pés de jabuticaba, romã e pitanga, ela tem a oportunidade de acompanhar o crescimento de árvores da rua, a exemplo de uma castanheira pertinho da sua janela. “Gosto de olhar a mudança de cor das folhas, verificar cada detalhe ao longo do ano. Pousar os olhos na natureza é uma maravilha, ainda mais nesses tempos em que todos vivem grudados nas telas”, observa Rose Chiari.
Neste fim de semana, o Estado de Minas mostra o convívio diário de homens e mulheres com o “meio ambiente” trazido para dentro das residências. Em cada voz, está a orientação para que as pessoas abriguem “nem que for um vaso de flor” na sala ou em outro cômodo da moradia para tornar a vida melhor. No aglomerado Morro do Papagaio, Lurdes Rosa de Jesus segue esse mandamento natural, cultivando uma samambaia chorona que é seu xodó. “Suspensa” perto da porta, a planta irradia beleza e dá boas-vindas, perto de vasos de folhagens. “É uma querida companheira”, ressalta a mineira de Tarumirim, na Região do Rio Doce.
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NOS TEMPOS DA BABILÔNIA
Os gregos consideravam os jardins suspensos da Babilônia uma das Sete maravilhas do mundo antigo. Mesmo ainda vistos como lenda ou fruto da fértil imaginação helênica, pois nunca foram encontrados vestígios arqueológicos, eles teriam sido criados por Nabucodonosor, poderoso rei do império babilônico que governou de 605 a.C até 562 a.C e quis homenagear sua mulher, Amitis, saudosa da terra natal. Assim escreveu “o pai da História” Heródoto sobre a Babilônia: “Essa cidade é tão magnífica que não há no mundo alguma que se lhe possa comparar”. No cenário, estariam um cinturão de muralhas e os jardins suspensos, com terraços escalonados, vegetação rica (árvores, arbustos, trepadeiras etc.), água em movimento e estátuas de divindades. Um paraíso na Terra, sem dúvida! E para situar melhor esse mítico lugar, é bom saber que o espaço compreende hoje uma área distante 100 quilômetros de Bagdá, no Iraque.